Nova aventura: Placa úmida de Colódio

Colódio "salgado" preparado e maturando!
Colódio “salgado” preparado e maturando!

As publicações ficaram um pouco menos freqüentes nas últimas semanas por dois motivos: Estávamos feito loucos montando e fazendo as atividades na Casa Ranzini, como curso de pinhole e o Pinhole Day.

O outro motivo é que estive investindo meu tempo em pesquisar mais uma técnica fotográfica para o menú do Imagineiro. Queremos fazer Placa úmida de colódio, esquecida por essas terras mas que vem ganhando popularidade pelo mundo.

Como o ingrediente principal, o Colódio Puro, não é mais produzido no Brasil (ou eu não achei) ele tem que ser importado. Isso o deixou mais caro que nossas possibilidades financeiras atuais. Mas encaramos o desafio de preparar o colódio do zero. O problema é produzir o “algodão solúvel” que é depois diluído em éter e alcool.

Depois de varias semanas tentando diversas receitas e variações, creio que chegamos num bom resultado. A foto acima é do algodão já diluido em éter e alcool e com os sais de Brometo de Cádmio e Iodeto de Potássio. A receita é conhecida por Old Reliable e foi formulada por John Coffer. Ela foi feita ontem e deve ficar alguns dias “maturando”. Ou seja, segurar a ansiedade e esperar até semana que vem para o grande teste. Espero que dê certo!

Assim, mais uma pesquisa fotográfica se desenrolando por aqui no Imagineiro! Esta técnica nos permitirá produzir três saídas fotográficas: Negativos de vidro, Ambrótipos e Ferrótipos.

Abraços,

Roger Sassaki

Anotações da pesquisa e várias amostras diferentes produzidas de "algodão solúvel" para se chegar ao resultado ideal.
Anotações da pesquisa e várias amostras diferentes produzidas de “algodão solúvel” para se chegar ao resultado ideal.
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One thought

  1. Olá, Roger. Sou membro de um grupo que também vem pesquisando processos pré-industriais de fotografia há alguns anos, aqui em Porto Alegre. Também estamos pesquisando as placas de colódio úmido e também enfrentamos dificuldades de conseguir o colódio. primeiro compramos o colódio elástico (descobrimos posteriormente que não serve). Outro membro do nosso grupo, Luiz Eduardo Achutti, foi para França em março e aproveitou para fazer um curso rápido de colódio úmido com o prof. Patrice Dhumes. Lá se compra colódio em qualquer farmácia. Aqui é proibido vender, pois conforme informações que recebemos, é matéria-prima para fabricar alguns explosivos. O Achutti não quis trazer e arriscar uma puta incomodação na chegada com a polícia federal. Como vocês, também estamos tentando produzir colódio a partir do algodão pólvora. Fizemos isso, sem sucesso, na semana passada. O algodão pólvora ficou explosivo e tudo mais, porém não dissolveu na solução de álcool e éter. Não sabemos o que aconteceu… Talvez não estivéssemos lavado bem o algodão depois do banho sulfonítrico. Também estou trabalhando com a hipótese de que o algodão pólvora pudesse estar meio úmido (não totalmente seco), pois notei que fica mais explosivo quando se submete o algodão a uma secagem com ar quente (aqui a umidade do ar é bem alta). Não sei, vamos continuar experimentando. Se puderem nos dar algumas dicas… Parabéns pelo trabalho de vocês! Ficamos felizes em encontrá-los na web.
    Grande abraço,
    Adalberto

    1. Olá Adalberto,

      Parabéns pelo seu projeto em Porto Alegre. Eu não o conhecia. Fico feliz de saber de outros núcleos de estudo, ainda mais vinculados a uma universidade. Nós não temos nenhum apoio e estamos nos bancando a muito custo.

      O colódio puro adequado pode ser importado com alto custo e alguma demora (3 meses). Se vocês tiverem a possibilidade financeira, é a melhor solução.

      Eu não gosto muito de discutir como fazer o algodão soluvel pois é um procedimento perigoso (para a pessoa) e acho que quem for tentar tem que ter o preparo e pesquisa.

      Mas, posso dizer que o que você quer para a fotografia não é o “algodão pólvora” e sim um “algodão solúvel” que não é explosivo (mas queima rápido). Você precisa achar a força certa da mistura ácida. Nem forte, nem fraca. Não sei se existe uma receita fechada, já que existem muitas variáveis (inclusive as que você citou).

      Em breve vamos anunciar um curso de fotografia em negativo de papel (calótipos) em julho. Quem sabe algum de vocês vem para SP fazê-lo. É também uma técnica muito legal que abre portas para muitas linguagens. Assine nossa newsletter para ficar sabendo!

      Mantenha contato e abraços!

      Roger

      PS: O colódio é realmente um liquido que deve ser administrado com cuidados e não deve ser permitido embarcar em avião com ele. Mas acho que esse papo de fazer explosivo é meio exagerado. A substância misturada deve ser tão combustível quanto um alcool ou a gasolina que qualquer um compra no posto sem nem precisar ter um carro como desculpa. Mesmo que alguém vá evaporar todo o solvente pra ficar com o algodão, é tão pouco (4%) e nem é explosivo, que não vale a pena. Mas vai saber…

  2. Boa tarde.. gostaria de saber se você produz algum tipo manual ou apostila do processo do colódio úmido desde o processo do algodão até a revelação e etc… Sou funcionário do Museu da Imagem e do Som de Bauru e estou pesquisando para tentar reproduzir a técnica. assim como o processo dos lambe lambes.

  3. Olá Luiz,

    Eu eu não escrevi nenhum manual sobre o processo. Existem alguns manuais do sec 19 a respeito.

    Que légal que o Museu está interessado. Quem sabe o Museu não nos chama para dar alguma oficina a respeito?

    Obrigado pelo interesse.

    Abraços

    Roger Sassaki

    1. Apesar de funcionário de museu estou nesta por conta própria..estive pensando se não existiria hoje algum outro produto mais simples de se trabalhar que substitua o colodio sem danos a estética do produto final ? Em uma ida a capital passo por ai para conhecer as instalações…

      1. Olá

        Não sei se tem outra substancia. Mas provavelmente também é possível fazer placa seca de vidro com gelatina. Seria a técnica seguinte historicamente. É uma pesquisa interessante também que você pode fazer.

        Abraços!

        Roger

  4. Bom dia,
    Estou fazendo um workshop com o Mark Osterman sobre tintype e ambrotipo. Estou pesquisando também a possibilidade de preparar o colódio aí no Brasil.
    Se desejar, podemos compartilhar as experiências.
    Abraço,

    Carlos

    1. Olá Carlos!

      Que ótimo que teve a oportunidade de aprender com um dos grandes. Ele é uma referencia.

      Eu sou autodidata nessa técnica. Já produzo meu próprio colódio a partir das matérias primas simples. Tem sido uma pesquisa muito legal.

      Mas é possível sim comprar o colódio pronto no Brasil. É só mais caro. Porém também mais seguro.

      Grande abraço!

      Roger.

  5. Olá Roger,
    em um dos posts acima vc falou sobre um curso de fotografia em negativo de papel (calótipos). Vcs já abriram turmas? Também tenho interesse em aprender a técnica de placa úmida de colódio, assim, caso vcs ministrem algum curso ou saibam onde posso encontrá-lo, agradeço se me avisarem.
    Abraço.
    Marcus

    1. Olá André
      Eu lembro de ter visto isso. Tem alguns colódios no mercado mas acho que nenhum serve. Não tenho certeza. Muitos desses fabricantes não falam qual a composição do produto. Então só testando.

      Abs!

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