Experimentando Papel de Colódio Cloreto – Aristotype

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Finalmente arranjei um tempo pra tentar fazer cópias positivas no processo “Collodion Chloride”, que vou tratar como Colódio Cloreto por falta de conhecimento de um termo em português oficial. Se alguém souber como estes são chamados por estas terras, me diga!

Veja a explicação de Mark Osterman:

O processo de cópia por exposição de colódio cloreto foi introduzido por Gaudin em 1861 mas nunca teve sucesso comercial ou aceitação geral até os anos de 1880 quando os papéis prontos revestidos de argila foram adotados pela fotografia. Em 1884 Liesegang introduziu uma emulsão de colódio cloreto para papel que chamou de Aristotype. Era relacionado ao processo de placa úmida de colódio, usado para fazer negativos, ambrótipos e ferrótipos, mas conta com a tecnologia de emulsão.

(Collodio-Chloride Printing Out Paper Also known as Collodion Aristotype Paper. Tradução livre.)

Neste texto de Osterman ele também descreve os materiais e passos para a produção dos papéis sensibilizados. Clique no link e baixe o pdf. Resolvi começar a investigar este processo que é tido como o mais durável dos papéis fotográficos baseados em haleto de prata. Segundo ele, é facil identificá-lo em acervos históricos pois são geralmente encontrados em excelente condição.

O único material que eu ainda não dispunha para o processo era o Cloreto de Estrôncio, encontrado em lojas do ramo químico mas aparentemente também usado em aquários marinhos ornamentais.

Grãos de Cloreto de Estrôncio.
Grãos de Cloreto de Estrôncio.

Devo admitir que errei alguns cálculos na hora de adequar a fórmula ao meu colódio o que resultou em uma solução final meio empelotada. Mas adionei mais éter e melhorou bem. Ou seja, só na próxima leva que vou ver como a coisa é mesmo. De qualquer forma, deu resultados interessantes.

Utilizei como papel base para esta primeira sessão o Arches Platine (não é o para impressão jato de tinta) e o Canson Infinity Baryta. Os papéis baritados eram os tradicionalmente usados na época barrar o líquido sem deixá-lo atravessar a base. Eu já venho tentando usar papéis de impressão jato de tinta para alguns processos como papel salgado e cianótipo mas nunca tive resultados muito bons. Gostei quando o Quinn Jacobson disse que vinha utilizando o Baryta com sucesso. Aliás, aqui tem um vídeo bom dele dando dicas e fazendo o processo:

Já o Arches Platine é a versão original do papel para processos fotográficos químicos. Ele tem uma versão moderna para impressão jato de tinta chamado Canson Infinity Platine, não é o que usei agora. O Arches foi feito para o processo de paládio-platina e é conhecido por sua base de algodão e a não adição de reserva alcalina. A cópia ficou muito legal o colódio não atravessou a base, porém deu pra ver uma boa “sombra” no verso. A superfície ficou com uma textura bonita das fibras com um aspecto brilhante. O único porém, que pode ser falta de prática, é que a camada de colódio soltou um pouco nas bordas e algumas bolhas de agua se formaram entre a base e a emulsão.

Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.

Para quem quiser ler mais um pouco sobre o processo, encontrei mais um PDF sobre o assunto, mais voltado a história, conservação e identificação.

Collodion on Paper. Dusan C. Stulik e Art Kaplan

Os próximos passos serão a prática da aplicação da emulsão sobre o papel e o uso de negativos de vidro de colódio no processo. Aliás, preciso fazer negativos de vidro! Vou correr lá….

Abraços,

Roger Sassaki

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One thought

    1. Hello Peter. You learned from the best! I wish I can do some workshops with Mark also in the near future. What is the paper you have? It’s not a photographic paper? How much is the shipping? Thank you very much!

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