Placa úmida de colódio: nossos primeiros ambrótipos!

Roger Sassaki/ maio 11, 2013/ Placa úmida de Colódio/ 7 comments

Desde que o Fernando Fortes e eu nos juntamos e começamos a montar o laboratório da Casa Ranzini, temos como projeto de pesquisa a fotografia em Placa Úmida de Colódio, um método fotográfico de 1851. O Fernando já havia feito uma oficina nos EUA e vinha coletando equipamentos e alguns químicos para fazer o processo no Brasil, eu nunca havia feito.

O principal problema é o ingrediente principal, o Colódio puro, uma substância viscosa feita de algodão (nitrocelulose) diluído em éter e álcool. Passadas muitas décadas da época em que essa técnica era amplamente usada por fotógrafos como Militão e Gaensly, o colódio agora é peça rara por essas terras. Passamos muito tempo tentando achar algum fornecedor no Brasil, mas só achamos sua versão flexivel (inapropriada) e importadores.

Decidimos então tentar fazer desde o “zero”, pesquisando em manuais do século 19, como produzir o colódio por conta própria. Após meses de pesquisa, feita nas horas vagas e feriados, conseguimos produzir nossas primeiras imagens positivas sobre vidro, conhecidas como Ambrótipos.

Primeiro ambrótipo feito por nós! O dia é "histórico" é 9 de maio de 2013. :)

Primeiro ambrótipo feito por nós! O dia é “histórico” é 9 de maio de 2013. 🙂

Retrato de Carolina Mitsuka por Roger Sassaki. Ambrótipo, positivo de vidro em placa úmida de colódio. Exposição de 3 segundos! Maio, 2013.

Retrato de Carolina Mitsuka por Roger Sassaki. Ambrótipo, positivo de vidro em placa úmida de colódio. Exposição de 3 segundos! Maio, 2013.

Estamos muito contentes com os resultados de nossa primeira sessão fotográfica, feita em um dia de sol do outono paulistano. É claro que há problemas a serem resolvidos e técnicas a serem aperfeiçoadas. Mas agora essas coisas se resolverão com o tempo e a prática. Alias, a prática é o que mais queremos exercitar agora. Nos próximos meses fotografemos feito loucos em Placa Úmida de colódio!

Nós também estamos ansiosos para poder transmitir este conhecimento para nossos colegas amantes da fotografia. Porém sentimos que precisamos aprender um pouco melhor antes de abrir um curso. Vai que nos fazem um monte de pergunta difícil. 😉 Mas acompanhem nosso site, ou assinem nossa newsletter, e ficarão sabendo em primeira mão!

Agradecemos a todos nossos alunos e também amigos que estão doando equipamentos fotográficos. Vocês estão dando uma contribuição importantíssima para nós. Obrigado às nossas “da casa” Carolina Mitsuka, Ligia Minami e a recém capturada Carol Vergotti.

Abraços!

Roger Sassaki

Mais fotos!

Eu farei escaneamentos dos ambrótipos para ver melhor! Também, desculpe por algumas fotos feitas no ipod, bem ruinzinhas.
Clique nas imagens para ver maior.

Ambrótipos secando! Essa secadora, quase pronta, está sendo feita também "na casa".

Ambrótipos secando! Essa secadora, quase pronta, está sendo feita também “na casa”.

Retrato de Carol Vergotti em ambrótipo por Roger Sassaki.

Retrato de Carol Vergotti em ambrótipo por Roger Sassaki.

Retrato de Carol Vergotti em ambrótipo, por Carolina Mitsuka.

Retrato de Carol Vergotti em ambrótipo, por Carolina Mitsuka.

Retrato de Carolina Mitsuka em ambrótipo por Roger Sassaki.

Retrato de Carolina Mitsuka em ambrótipo por Roger Sassaki.

Retrato de Carolina Mitsuka em ambrótipo por Roger Sassaki.

Retrato de Carolina Mitsuka em ambrótipo por Roger Sassaki.

Retrato de Roger Sassaki em ambrótipo por Carol Vergotti.

Retrato de Roger Sassaki em ambrótipo por Carol Vergotti.

Colódio já misturado com iodetos e brometos, pronto para usar. A cor amarelada vem com a maturação da fórmula.

Colódio já misturado com iodetos e brometos, pronto para usar. A cor amarelada vem com a maturação da fórmula.

Muitas anotações de pesquisa e algumas das amostras de algodão solúvel.

Muitas anotações de pesquisa e algumas das amostras de algodão solúvel.

Indo para fora do lab, a céu aberto, para fazer as coisas mais "esquisitas". Foto de Ligia Minami.

Indo para fora do lab, a céu aberto, para fazer as coisas mais “esquisitas”. Foto de Ligia Minami.

Eu, Roger, me preparando  para mais uma leva de experimentos. Foto de Ligia Minami

Eu, Roger, me preparando para mais uma leva de experimentos. Foto de Ligia Minami

Enxaguando o algodão solúvel que irá virar colódio. Foto de Ligia Minami.

Enxaguando o algodão solúvel que irá virar colódio. Foto de Ligia Minami.

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14 Comments

  1. Olá, Roger. Sou membro de um grupo que também vem pesquisando processos pré-industriais de fotografia há alguns anos, aqui em Porto Alegre. Também estamos pesquisando as placas de colódio úmido e também enfrentamos dificuldades de conseguir o colódio. primeiro compramos o colódio elástico (descobrimos posteriormente que não serve). Outro membro do nosso grupo, Luiz Eduardo Achutti, foi para França em março e aproveitou para fazer um curso rápido de colódio úmido com o prof. Patrice Dhumes. Lá se compra colódio em qualquer farmácia. Aqui é proibido vender, pois conforme informações que recebemos, é matéria-prima para fabricar alguns explosivos. O Achutti não quis trazer e arriscar uma puta incomodação na chegada com a polícia federal. Como vocês, também estamos tentando produzir colódio a partir do algodão pólvora. Fizemos isso, sem sucesso, na semana passada. O algodão pólvora ficou explosivo e tudo mais, porém não dissolveu na solução de álcool e éter. Não sabemos o que aconteceu… Talvez não estivéssemos lavado bem o algodão depois do banho sulfonítrico. Também estou trabalhando com a hipótese de que o algodão pólvora pudesse estar meio úmido (não totalmente seco), pois notei que fica mais explosivo quando se submete o algodão a uma secagem com ar quente (aqui a umidade do ar é bem alta). Não sei, vamos continuar experimentando. Se puderem nos dar algumas dicas… Parabéns pelo trabalho de vocês! Ficamos felizes em encontrá-los na web.
    Grande abraço,
    Adalberto

    1. Olá Adalberto,

      Parabéns pelo seu projeto em Porto Alegre. Eu não o conhecia. Fico feliz de saber de outros núcleos de estudo, ainda mais vinculados a uma universidade. Nós não temos nenhum apoio e estamos nos bancando a muito custo.

      O colódio puro adequado pode ser importado com alto custo e alguma demora (3 meses). Se vocês tiverem a possibilidade financeira, é a melhor solução.

      Eu não gosto muito de discutir como fazer o algodão soluvel pois é um procedimento perigoso (para a pessoa) e acho que quem for tentar tem que ter o preparo e pesquisa.

      Mas, posso dizer que o que você quer para a fotografia não é o “algodão pólvora” e sim um “algodão solúvel” que não é explosivo (mas queima rápido). Você precisa achar a força certa da mistura ácida. Nem forte, nem fraca. Não sei se existe uma receita fechada, já que existem muitas variáveis (inclusive as que você citou).

      Em breve vamos anunciar um curso de fotografia em negativo de papel (calótipos) em julho. Quem sabe algum de vocês vem para SP fazê-lo. É também uma técnica muito legal que abre portas para muitas linguagens. Assine nossa newsletter para ficar sabendo!

      Mantenha contato e abraços!

      Roger

      PS: O colódio é realmente um liquido que deve ser administrado com cuidados e não deve ser permitido embarcar em avião com ele. Mas acho que esse papo de fazer explosivo é meio exagerado. A substância misturada deve ser tão combustível quanto um alcool ou a gasolina que qualquer um compra no posto sem nem precisar ter um carro como desculpa. Mesmo que alguém vá evaporar todo o solvente pra ficar com o algodão, é tão pouco (4%) e nem é explosivo, que não vale a pena. Mas vai saber…

  2. Boa tarde.. gostaria de saber se você produz algum tipo manual ou apostila do processo do colódio úmido desde o processo do algodão até a revelação e etc… Sou funcionário do Museu da Imagem e do Som de Bauru e estou pesquisando para tentar reproduzir a técnica. assim como o processo dos lambe lambes.

  3. Olá Luiz,

    Eu eu não escrevi nenhum manual sobre o processo. Existem alguns manuais do sec 19 a respeito.

    Que légal que o Museu está interessado. Quem sabe o Museu não nos chama para dar alguma oficina a respeito?

    Obrigado pelo interesse.

    Abraços

    Roger Sassaki

    1. Apesar de funcionário de museu estou nesta por conta própria..estive pensando se não existiria hoje algum outro produto mais simples de se trabalhar que substitua o colodio sem danos a estética do produto final ? Em uma ida a capital passo por ai para conhecer as instalações…

      1. Olá

        Não sei se tem outra substancia. Mas provavelmente também é possível fazer placa seca de vidro com gelatina. Seria a técnica seguinte historicamente. É uma pesquisa interessante também que você pode fazer.

        Abraços!

        Roger

  4. Bom dia,
    Estou fazendo um workshop com o Mark Osterman sobre tintype e ambrotipo. Estou pesquisando também a possibilidade de preparar o colódio aí no Brasil.
    Se desejar, podemos compartilhar as experiências.
    Abraço,

    Carlos

    1. Olá Carlos!

      Que ótimo que teve a oportunidade de aprender com um dos grandes. Ele é uma referencia.

      Eu sou autodidata nessa técnica. Já produzo meu próprio colódio a partir das matérias primas simples. Tem sido uma pesquisa muito legal.

      Mas é possível sim comprar o colódio pronto no Brasil. É só mais caro. Porém também mais seguro.

      Grande abraço!

      Roger.

  5. Boa tarde,

    Qual a possibilidade de se importar o Colódio….vc’s teriam algum fornecedor

    Abs

    Herculano

    1. Olá

      O colódio pode ser importado pelo site da Bostick & Sullivan.

      Creio que a Sigma-Aldrich também importe.

      Abs!

  6. Olá Roger,
    em um dos posts acima vc falou sobre um curso de fotografia em negativo de papel (calótipos). Vcs já abriram turmas? Também tenho interesse em aprender a técnica de placa úmida de colódio, assim, caso vcs ministrem algum curso ou saibam onde posso encontrá-lo, agradeço se me avisarem.
    Abraço.
    Marcus

    1. Olá Marcus

      Acabamos de ministrar um curso de calótipo úmido. Se você tiver mesmo interesse, posso tentar fechar alguma turma em março. São dois finais de semana.

      Para receber novidades por email, se inscreva na nossa newsletter: https://www.facebook.com/Imagineiro/app_100265896690345

      Abraços!

      Roger Sassaki

  7. oi Roger, tudo bom? Este colodio dá para fazer? http://lojarisi.com/colodio-para-decalcomanias-250ml.html
    Abraço,
    André

    1. Olá André
      Eu lembro de ter visto isso. Tem alguns colódios no mercado mas acho que nenhum serve. Não tenho certeza. Muitos desses fabricantes não falam qual a composição do produto. Então só testando.

      Abs!

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