O Lápis da Natureza (The Pencil of Nature), 1844 de William Henry Fox Talbot

O Lápis da Natureza – William Henry Fox Talbot

Talvez você já deva saber que o marco considerado o nascimento da fotografia foi o anúncio feito por Louis Daguerre, através da Academia Francesa de Ciências, do invento do Daguerreótipo em 7 de janeiro de 1839. Mas o aparecimento da fotografia não foi de um dia para o outro, foi uma evolução e um acumulo de investigações e descobertas. Neste período em especial, muitos filósofos se empenhavam em estabelecer um método consistente de fixar as imagens projetadas pelas objetivas.

No mesmo período na Inglaterra, Fox Talbot desenvolvia seu sistema de fotografia em papel preparado com uma combinação de Sal e Nitrato de Prata, que ficou conhecido como Papel Salgado. Com uma variação da técnica, ele conseguiu também fazer negativos em papel, que chamou de Calótipos. À ele é creditada a invenção da idéia de um negativo que funciona como uma matriz para inúmeras cópias, ao contrário do daguerreótipo que gerava um exemplar único.

Para divulgar sua técnica recém amadurecida, ele publicou o livro The Pencil of Nature (O lápis da natureza) em formato de 6 fascículos que foram lançados de 1844 a 1846. Este livro pode ser considerado o primeiro livro fotográfico comercial da história. Ele incluiu 24 imagens produzidas por Calótipo que demonstravam as diversas aplicações que a fotografia poderia ter.

Acompanhando as imagens, ele escreveu uma introdução e também uma explicação para cada imagem. Como o assunto era uma novidade, algum avisos são geniais, como “todas as imagens são executadas com a nova arte do Desenho Fotogênico, sem nenhuma ajuda do lápis do artista”, “Elas são impressas pela mão da Natureza”. Em outro momento, ele ressalta a precisão com que os objetos são registrados e a utilidade para se fazer inventários das posses de cada um para o caso de roubos e acidentes.

Para nós pode parecer óbvio, mas ele achou importante destacar que fotos de grupos de pessoas não implicava em um aumento de exposição, todas eram registradas ao mesmo tempo. Uma grande vantagem em relação a pintura. Ao descrever os possiveis jeitos de fotografar uma estátua é incrível perceber que muitas dicas se tornaram técnicas usadas até hoje para se retratar pessoas.

Ele também propõe um desafio bem interessante para a fotografia. Como ele percebeu que o calótipo era sensível a luz UV invisível, ele diz que poderia ser possível tirar uma foto em uma sala escura, mas iluminada por luz UV, e ter uma foto do ambiente iluminado. Hoje, não temos fotografia UV pelo que sei mas temos fotografia Infra-Vermelha, que segue a mesma idéia, porém no outro extremo do espectro luminoso. Muito visionário!

Na introdução, ele conta a história de sua descoberta e como se interessou pela investigação da fotografia. Muito interessante!

Obviamente, será muito difícil você colocar suas mãos em um exemplar original do Lápis da Natureza, mas felizmente ele existe em formato digital gratuito. Vá para o site do Projeto Gutemberg e escolha alguma das versões com imagens (with images), claro.

Link para ebook: http://www.gutenberg.org/ebooks/33447

Agora, se você quer ter um exemplar impresso, recentemente um pessoal resolveu reeditar o livro em toda sua glória. Pesquisaram diversos exemplares originais e elegeram os melhores exemplares de cada imagem para fazerem as reproduções. Deve ter ficado ótimo e não é tãão caro.

Link para reedição impressa em papel:

Creio que todos os fotógrafos devam dar uma olhada e lida (infelizmente só tem em inglês) neste livro. Afinal de contas, fora o valor histórico, ele foi feito por um dos pais da fotografia. Boa credencial, não?

Abraços!

Roger Sassaki

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