Nossa nova câmera de campo 4.75×6.5″

Roger Sassaki/ maio 30, 2013/ Analógico, Calótipo, Placa úmida de Colódio/ 4 comments

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Recentemente, recebemos algumas doações de equipamentos fotográficos do amigo fotógrafo Jonas Chun. Entre todas as preciosidades que ainda preciso colocar para funcionar, tinha essa linda câmera de madeira dobrável, um pouco suja de pó mas em ótimas condições. Fiquei animado imediatamente pois é uma câmera super portátil e estava completa e com três chassis duplos para placa de vidro. Bem em hora, pois estamos nos preparando para fazer fotografias em calótipos e em placa úmida em viagem.

Aproveitei para pesquisar um pouco sobre suas características e descobri que o tamanho do negativo de 4,75×6,5 polegadas (aprox. 12×16,5cm) é conhecido como “half-plate” ou “cabinet”. Era um formato comum para retratos pois gera uma imagem positiva por contato de um tamanho bom para um porta-retrato. Creio que originalmente, ela foi concebida para se utilizar placas secas de vidro, e não as placas úmidas de colódio que eu tenho o interesse de usar. Mas tudo bem, funciona!

Este tipo de câmera é conhecido como “field camera” ou câmera de campo. A característica principal é a portabilidade, pois viram uma compacta maletinha (esqueci de fotografar ela dobrada!). Elas possuem menos movimentos do que uma câmera técnica de trilho, mas ainda sim, são bem versáteis.

É muito provavel que esta câmera seja uma cópia das famosas Deardorff inglesas, que até hoje são fabricadas de forma impecável e nada baratas. A única identificação da câmera é uma pequena placa na parte posterior que contém caracteres chineses (também usados por japoneses) e coreanos. Perguntei para um amigo japonês “mesmo”, e não que nem eu, o que poderia ser lido. Este amigo é o fotógrafo Tatewaki Nio que utiliza uma câmera semelhante em seu trabalho. Ele conseguiu identificar o local de fabricação na cidade de Suncheon, na Coréia do Sul. Um colega do grupo “Collodion Bastards” do Facebook, Gerald Figal, também identificou a mesma cidade e tem uma teoria boa sobre a câmera:

Eu encontrei o mesmo local Suncheon (Junten em japonês). Meu palpite é que esta é uma câmera pré-Segunda Guerra Mundial produzida por uma empresa japonesa na Coreia colonial. Coreanos não estavam fazendo câmeras como esta ao meu conhecimento. Faz sentido que é uma câmera japonesa feita enquanto a Coréia era uma colônia do Japão. O nome da empresa “Tōnan” (Sudeste) soa muito bem como um nome do Império Japonês. Ela pode ter sido elaborada por coreanos, mas sob uma empresa japonesa na Coreia colonial.

Placa de identificação da câmera.

Placa de identificação da câmera.

Essa história me faz imaginar o tanto que uma câmera desta idade “viu” em sua vida. Também fico contente de continuar a dar uso a esta guerreira!

As duas únicas coisas que tive que fazer nela, fora a boa limpeza, foi colocar uma lente e fazer um adaptador para encaixar o tripé. Essas câmeras usavam um sistema muito estranho de tripé. Acho que isto nem seria um problema, mas veio faltando alguma peça para conectar a câmera na cabeça do tripé. O que eu fiz foi cortar uma madeira e encaixar uma “porca-garra” com rosca de 1/4 e arranjar um jeito através de pequenos pitões de metal de fixar esta base de madeira na câmera. Deu super certo e com a vantagem de não ter sido necessário fazer nenhuma modificação na câmera. Ela ainda está original.

A madeira mais clara é a base que foi feita. A rosca de 1/4 é uma porca-garra que é facilmente encontrada em casas de parafusos. O pequeno pitão solto no centro é igual aos que foram usados para conectar a base no corpo da câmera. Eles são parafusados na base e conectados pelos parafusos com porca no anel de metal da câmera.

A madeira mais clara é a base que foi feita. A rosca de 1/4 é uma porca-garra que é facilmente encontrada em casas de parafusos. O pequeno pitão solto no centro é igual aos que foram usados para conectar a base no corpo da câmera. Eles são parafusados na base e conectados pelos parafusos com porca no anel de metal da câmera.

Já a objetiva que estamos usando por hora é na verdade uma objetiva para ampliador. É uma Rodenstock 150mm f/5.6 que também faz parte da doação do Jonas Chun. A placa de suporte da lente foi feita com papel de passe-partout e pintada de spray preto. Como é uma lente para ampliador, ela não tem obturador. Para nosso uso com calótipos e placa úmida, isto não é um problema pois as exposições tem sempre mais do que 1 segundo, indo até 15 minutos. Assim, é só abrir e fechar a tampinha.

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O vidro despolido abre como uma portinha para se colocar o chassi de negativo. Esta peça em que o chassi encaixa, pode ser colocada na posição vertical facilmente. Cada chassi acomoda duas placas.  Nossa lente 150mm está aí também.

O vidro despolido abre como uma portinha para se colocar o chassi de negativo. Esta peça em que o chassi encaixa, pode ser colocada na posição vertical facilmente. Cada chassi acomoda duas placas.
Nossa lente 150mm está aí também.

Olhem esta imagem em placa de vidro que fizemos com esse conjunto:

Positivo de vidro, de Roger H Sassaki.

Positivo de vidro, de Roger H Sassaki.

Pra acabar este post, quero agradecer novamente o amigo fotógrafo Jonas Chun! A câmera está sendo super bem cuidada e fazendo o que faz melhor, fotos! Ela está sendo super útil. Muito obrigado.

Vejam o site deste ótimo fotógrafo social: http://www.jonaschun.com

Bom ressaltar, que em nossos cursos fotográficos, os alunos tem a chance de utilizar muitos dos nossos equipamentos!

Abraços,

Roger Sassaki

Atualização 1, 30/05/2013: Graham Vasey, também do Collodion Bastards do Facebook, me passou o link para as imagens de sua camera, bem similar a esta. Nas fotos dá pra ver como que é encaixado o tripé original. Cada uma das três pernas é presa individualmente diretamente na base redonda de metal. Agora que eu entendi porque a base é tão estranha. Mas faz todo o sentido. Veja as imagens no site: http://gallerinadarlington.blogspot.co.uk/2013/01/a-day-in-life-ofgraham-vasey.html

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5 Comments

  1. Parabéns pelo esforço de vocês, trabalho muito legal o que vocês fizeram!

    Sou de Manaus e estava interessado em iniciar na técnica, principalmente para desenvolver em placas de alumínio, tenho pesquisado, porém tenho dificuldade em encontrar o colódio. Li nos artigos que vocês mesmo produziram, achei, no entanto, colódio a venda em alguns sites, mas não sei dizer se serviria.

    exemplo: http://www.lojarisi.com/ceramica-780-820/decalcomanias/colodio-para-decalcomanias-250ml.html

    Sabem me dizer se seria útil?

  2. Olá Lucas,

    É difícil saber se vai funcionar pois esses fornecedores não divulgam a composição. Eu acho que não funciona, mas vale a tentativa. Você precisa achar o colódio “puro”, não pode ser nem o flexível e nem o rígido.

    Obrigado pelo interesse no nosso trabalho!

    Abraços.

  3. Caraca, curti demais o artigo… sou formado em química e fotógrafo, li um artigo sobre fotografia nessa técnica hoje.. vou ver se consigo os materiais pra poder fazer…
    Parabéns pela pesquisa de vocês.. foi de grande utilidade

  4. Roger, como vai?

    Pretendo tentar começar a praticar a fotografia em placa úmida. Estou pensando em pegar uma 4×5 num preço bom e modificar os chassis dos filmes, como vi em alguns tutoriais.

    Achei o preço dos químicos um pouco salgado; em algum dos artigos tu lista empresas forncedoras de produtos químicos?

    Obrigado por dividir essas informações
    Abs

    1. Olá José,

      De fato os químicos não são baratos. Costuma-se associar a “fotografia alternativa” com “fotografia de baixo custo” o que na maioria dos casos é falso. Placa úmida é um desses casos, um processo caro e que toma muito tempo, tornando-o difícil de acomodá-lo em sua rotina de vida.

      Tem alguns fornecedores listados em alguns artigos sim. Admito que estou tendo pouco tempo de atualizar o conteúdo do blog. Já adianto que o ingrediente principal, o “colódio” é meio chato de comprar por aqui. Você vai precisar arranjar uma licença de compra.

      Abraços!

      Roger

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