Giphantie, uma profecia fotográfica

Primeira edição de Giphantie. Imagem capturada da internet.
Primeira edição de Giphantie. Imagem capturada da internet.

Em 1760 (muito antes do nascimento da fotografia em 1839), o escritor francês Charles François Tiphaigne de la Roche escreveu um livro chamado “Giphantie”. O herói da história é levado por um temporal a uma estranha ilha chamada Giphantie, onde entre tantas aventuras, um guia lhe explica a técnica com a qual os nativos fixam as imagens.

Esta história podia ser considerada uma ficção científica na época, provavelmente influenciada pela “câmara escura” desenvolvida pelo filósofo italiano Batista Porta no meio do século 16. Porém, o tempo a tornou uma profecia cumprida quase como descrita.

Segue dois trechos do capítulo 10 do livro (traduzido livremente da versão inglesa de 1761):

— O Temporal
“Você sabe que os raios de luz, refletidos por diferentes corpos, fazem uma imagem e pintam seus corpos sobre todas as superfícies polidas, na retina dos olhos, por exemplo, na água, no vidro. Os espíritos elementares estudaram como fixar estas imagens fugazes: eles fizeram uma substância delicada, muito viscosa, e propícia a endurecer e secar, com a ajuda da qual uma imagem é feia num piscar de olhos. Eles cobrem com esta substância um pedaço de tela e a seguram em frente ao objeto que desejam pintar. O primeiro efeito da tela é como de um espelho, que é ver sobre ele todos os objetos distantes ou pertos, cuja a imagem a luz pode transmitir. Mas o que o espelho não pode fazer, a tela, por meio da substância viscosa, retém a imagem. O espelho mostra os objetos fielmente; mas mantém nenhum; nossas telas os mostram com a mesma exatidão, e retém todos eles. A impressão das imagens é feita no instante que são recebidas na tela, que é imediatamente levada a um local escuro; uma hora depois, a substância delicada seca, e você tem uma imagem muito mais valiosa, pois não pode ser imitada pela arte nem destruída pelo tempo.”

— A Galeria
“Em cada tela apareciam florestas, campos, mares, nações, exércitos, regiões inteiras; todos estes objetos eram pintados com tanta veracidade, que eu era frequentemente forçado a me relembrar, de forma a não cair novamente na ilusão. Eu não consegui discernir, a cada momento, se o que eu estava vendo pelas janelas não era uma pintura, ou o que eu estava vendo nas telas não era a realidade.”

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