Tentando fazer Placa Seca de gelatina. 

Estátua Viva, Rua Barão de Itapetininga, SP. Impressão em papel Ilford RC a partir de negativo de vidro de Placa Seca. 17/06/2017.

Já faz algum tempo que tenho me enveredado na pesquisa do processo de Placa Seca De Gelatina, uma técnica de 1871 que veio a desbancar a hegemonia do colódio e possibilitar a era industrial da fotografia. 

Tenho seguido por hora a receita de Mark Osterman, publicada no livro de Christopher James. É um procedimento até simples depois que pega o jeito. Fiz duas “levas” já e acabei de fazer uma terceira ainda não testada. A primeira leva não deu muito certo, o que era esperado. Acho que não lavei direito a gelatina e acabei com cristalização de nitratos e outros sais. 

A segunda leva saiu ótima, e é a que gerou as duas imagens deste post. O negativo é limpo porém de baixíssima sensibilidade. Ficou até bem próxima do colódio, algo em torno de ISO 1. 

Já fiz teste de revelação com Parodinal e funcionou. Estas duas imagens aqui foi com Ilford Bromophen. Adicionei um banho inicial de água destilada com um 0,5% de alúmen de cromo para evitar descascaremos da gelatina no processo. Funcionou.

Estas duas imagens foram feitas em formato 4×5″ em uma Linhof Technika. Depois de reveladas por cerca de 15 minutos cada, foram fixadas e secas. Fiz ampliações em papel fotográfico Ilford RC Multigrade vencido (o que deu algumas manchas escuras na cópia) 18x24cm. Apesar de os negativos terem as altas luzes bem densas, as baixas luzes ficaram quase sub-expostas (erro de exposição) e precisei usar um contraste 5 e um tanto de manipulação durante a cópia. De qualquer forma, o resultado está muito bom para este estágio da pesquisa.

Praça da República, SP. Impressão em papel Ilford RC a partir de negativo de vidro de Placa Seca. 17/06/2017.

Nesta próxima “leva” tentei aumentar um pouco a sensibilidade da emulsão . Vamos ver!

Câmera Oca – Uma grande formato de montar

Podemos construir nossa própria câmera para processos fotográficos químicos?

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O projeto da Câmera Oca nasceu das conversas entre o fotógrafo Guilherme Maranhão e eu (Roger Sassaki) sobre a dificuldade que nossos alunos e colegas tem em achar uma câmera de grande formato para continuar a prática fotográfica de nossos cursos. Conversamos muito sobre como seria legal desenvolver uma câmera que pudesse ser montada por cada um durante uma oficina de poucos dias. O Guilherme se utiliza dos filmes em chapas para radiografia em suas investigações e trabalhos e eu utilizo câmeras de grande formato para fotografar em calótipos e placa úmida de colódio. Assim, a Oca foi projetada para aceitar em seu chassi processos de captura em placas, seja em processo úmido ou seco e também com filmes fotográficos em chapas até o tamanho de 13x18cm (5×7 polegadas) ou o formato quadrado de 16x16cm.

Parte traseira com vidro despolido que é retirado para o encaixe do chassi para placa fotográfica.
Parte traseira com vidro despolido que é retirado para o encaixe do chassi para placa fotográfica.
Chassi para a placa fotográfica com uma placa de 13x18cm. A placa pode ser colocada na horizontal ou vertical.
Chassi para a placa fotográfica com uma placa de 13x18cm. A placa pode ser colocada na horizontal ou vertical.

A Câmera Oca é uma mistura de modelos do início da fotografia e algumas soluções posteriores. Não é uma réplica de nenhum modelo que existiu. Ela é baseada em caixas deslizantes para ajustar o foco e na troca da peça do despolido para o chassi vedado à luz para a placa fotossensível. O chassi tem algumas características dos feitos para placa úmida de colódio no séc. 19. A objetiva é um modelo de lentes simétricas não acromáticas com diafragma “waterhouse”.

A escolha dos materiais e soluções do projeto também levou em conta a simplicidade na construção, a disponibilidade e baixo custo das peças e a possibilidade de ser montado por uma pessoa sem habilidades em marcenaria e sem maquinário pesado, somente ferramentas simples. A Oca é entregue em formato de kit de peças pré cortadas para colagem e leve ajuste final.

Além destes objetivos práticos, também pensamos que a construção é uma ótima oportunidade para o aluno descobrir o aparelho fotográfico. Durante a montagem o projeto é explicado e o aluno consegue entender a função de cada coisa feita e sua implicação na formação da imagem final. Esperamos que ele ganhe as noções necessárias para modificar o projeto posteriormente de acordo com suas necessidades.

Os Testes

Depois de construir nosso protótipo da Oca, fomos fazer o “teste de sanidade”! A primeira imagem foi feita na Casa Ranzini de uma simples cena, um ambrótipo em vidro.

Ambrótipo 13x18cm feito com o protótipo da Câmera OCA.
Ambrótipo 13x18cm feito com o protótipo da Câmera OCA.

Depois, fomos testar fotografar com chapa para raio-x e escolhemos fazer um retrato do Celso Eberhardt, o técnico super-super de concerto de câmeras fotográficas! Imagens raras do homem em sua oficina.

Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.

A primeira turma da oficina!

Então resolvemos ver se realmente tem gente por aí querendo construir sua própria câmera e abrimos inscrições para um primeiro grupo de alunos. Para nossa felicidade, sim – existem!

Foram 5 dias de oficina, três horas por dia nas primeiras manhãs no ateliê do Guilherme e um dia final no meu espaço na Casa Ranzini para fotografar com as câmeras prontas. Estávamos um pouco apreensivos como as coisas caminhariam mas os alunos foram ótimos na habilidade de montar a encrenca, no convívio, ajuda entre eles e compartilhamento das ferramentas. Foi ótimo ver o cuidado com que montaram as peças e a empolgação e carinho crescente com suas criações a medida que os sacos de ripas desconexas de madeira se transformavam em câmeras fotográficas.

Navegue pela galeria de fotos feitas durante o curso:

Para ficar sabendo de novas turmas desta oficina, assine a newsletter: http://eepurl.com/dTHUL

Grande Abraço!

Roger H. Sassaki

Experimentando Papel de Colódio Cloreto – Aristotype

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Finalmente arranjei um tempo pra tentar fazer cópias positivas no processo “Collodion Chloride”, que vou tratar como Colódio Cloreto por falta de conhecimento de um termo em português oficial. Se alguém souber como estes são chamados por estas terras, me diga!

Veja a explicação de Mark Osterman:

O processo de cópia por exposição de colódio cloreto foi introduzido por Gaudin em 1861 mas nunca teve sucesso comercial ou aceitação geral até os anos de 1880 quando os papéis prontos revestidos de argila foram adotados pela fotografia. Em 1884 Liesegang introduziu uma emulsão de colódio cloreto para papel que chamou de Aristotype. Era relacionado ao processo de placa úmida de colódio, usado para fazer negativos, ambrótipos e ferrótipos, mas conta com a tecnologia de emulsão.

(Collodio-Chloride Printing Out Paper Also known as Collodion Aristotype Paper. Tradução livre.)

Neste texto de Osterman ele também descreve os materiais e passos para a produção dos papéis sensibilizados. Clique no link e baixe o pdf. Resolvi começar a investigar este processo que é tido como o mais durável dos papéis fotográficos baseados em haleto de prata. Segundo ele, é facil identificá-lo em acervos históricos pois são geralmente encontrados em excelente condição.

O único material que eu ainda não dispunha para o processo era o Cloreto de Estrôncio, encontrado em lojas do ramo químico mas aparentemente também usado em aquários marinhos ornamentais.

Grãos de Cloreto de Estrôncio.
Grãos de Cloreto de Estrôncio.

Devo admitir que errei alguns cálculos na hora de adequar a fórmula ao meu colódio o que resultou em uma solução final meio empelotada. Mas adionei mais éter e melhorou bem. Ou seja, só na próxima leva que vou ver como a coisa é mesmo. De qualquer forma, deu resultados interessantes.

Utilizei como papel base para esta primeira sessão o Arches Platine (não é o para impressão jato de tinta) e o Canson Infinity Baryta. Os papéis baritados eram os tradicionalmente usados na época barrar o líquido sem deixá-lo atravessar a base. Eu já venho tentando usar papéis de impressão jato de tinta para alguns processos como papel salgado e cianótipo mas nunca tive resultados muito bons. Gostei quando o Quinn Jacobson disse que vinha utilizando o Baryta com sucesso. Aliás, aqui tem um vídeo bom dele dando dicas e fazendo o processo:

Já o Arches Platine é a versão original do papel para processos fotográficos químicos. Ele tem uma versão moderna para impressão jato de tinta chamado Canson Infinity Platine, não é o que usei agora. O Arches foi feito para o processo de paládio-platina e é conhecido por sua base de algodão e a não adição de reserva alcalina. A cópia ficou muito legal o colódio não atravessou a base, porém deu pra ver uma boa “sombra” no verso. A superfície ficou com uma textura bonita das fibras com um aspecto brilhante. O único porém, que pode ser falta de prática, é que a camada de colódio soltou um pouco nas bordas e algumas bolhas de agua se formaram entre a base e a emulsão.

Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.

Para quem quiser ler mais um pouco sobre o processo, encontrei mais um PDF sobre o assunto, mais voltado a história, conservação e identificação.

Collodion on Paper. Dusan C. Stulik e Art Kaplan

Os próximos passos serão a prática da aplicação da emulsão sobre o papel e o uso de negativos de vidro de colódio no processo. Aliás, preciso fazer negativos de vidro! Vou correr lá….

Abraços,

Roger Sassaki

Uma luz segura para cabeça.

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Alguns materiais fotosensiveis como papel fotográfico e processos antigos como calotipo e placa úmida são pouco sensíveis à luz de cor vermelha e âmbar. São chamados ortocromaticos. Por esta razão, pode-se usar uma fonte de luz vermelha para iluminar a área de trabalho sem “velar” o material fotossensível. Existem

No Brasil, esse tipo de iluminação é chama luz de segurança. Eu particular sempre achei que o termo certo é “luz segura” mas enfim.

Resolvi montar essa luz segura de cabeça para me auxiliar nos processos fotográficos que venho fazendo. Deixa minhas mais livres e consigo trabalhar em situações sem iluminação adequada.

A lâmpada de cabeça é uma dessas de camping. Está eu comprei por uns R$40 na Decathlon. Você vai precisar comprar um pouco de “rubylith” ou “filme rubi” em alguma loja de serigrafia.

Eu desmontei a parte onde fica a lâmpada apenas desrosqueando. Usando a lente refletora como molde, recortei alguns círculos de rubylith.

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Apesar dos materiais ortocromaticos serem pouco sensíveis à luz vermelha, uma luz muito intensa por muito tempo ainda pode velar o material. Assim, talvez seja necessário empilhar algumas camadas de rubylith para diminuir a intensidade da luz. Isso vai depender do material fotossensível e da distância e tempo de uso. Só testando. Papel fotográfico de gelatina de prata é bem mais sensível que os processos do século 19.

Depois é só colocar os disquinhos vermelhos entre a lente refletora e a proteção plástica, rosquear e montar tudo.

Abraços!

Roger.

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Envernizando ambrótipos com Goma Sandaraca

Não sou muito de fazer vídeos, mas vou tentar mudar isso. A câmera é beeem simples! Gravei este quando estava a envernizar um monte de ambrótipos. Faz parte da minha tentativa de arrumar a grande quantidade de placas de vidro que já acumulei. Muitas muitas.

No vídeo eu uso a receita tradicional de verniz a base de goma sandaraca e óleo de lavanda. A receita esta nesse blog. Você pode ver que eu uso a lamparina a álcool para aquecer e secar a placa e depois para secar o verniz. Recentemente eu recebi uma doação de uma placa elétrica aquecida. É bem antiga, tem cara de anos 70. É uma base de vidro e um interruptor de liga-desliga, só. Eu controlo a temperatura (70-100˚C) olhando um termômetro de metal que deixo em cima da base. Fiz uma tampa de acrílico para ela para evitar um pouco que pó caia sobre o verniz. A placa tem sido de grande ajuda para secar o verniz das placas, principalmente das grandes. Após secar um pouco sobre a lamparina, eu deito a placa na chapa e deixo lá uns dez minutos.

Desculpe a falta de produção do vídeo, fica como um registro para curiosos do processo.

Abraços!

Roger Sassaki

Projeto Arte Fazenda, janeiro de 2015

Existem aqueles problemas que você torce pra tê-los. Montar dois cursos sequenciais para o Projeto Arte Fazenda foi bem o caso. Fui convidado pela fotógrafa e educadora Mônica Machado para participar dos primeiros passos do novo local para residências artísticas em Minas Gerais. A antiga fazenda está transformando sua estrutura para abrigar artistas dispostos a passar períodos hospedados no local, se concentrando em sua produção autoral.

Uma das áreas de descanso da linda fazenda
Uma das áreas de descanso da linda fazenda

Nada melhor do que começar também pelos primeiros passos da fotografia. O plano foi dar duas oficinas de processos de captura fotográfica do século 19: negativo de papel – calótipo – e positivos de vidro em placa úmida de colódio, os ambrótipos. São duas técnicas que foram muito importantes para os primeiros 40 anos da arte fotográfica.

Antes dos cursos começarem, o local recebem uma boa reforma e arrumação da Mônica e do Bruno Claro, que também deu assistência valiosa aos cursos.

O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.

O primeiro curso foi de 4 dias sobre os calótipos. No caso, a variante seca desenvolvida pelo francês Arsène Pélegry em 1879. Os alunos passaram por todos os passos necessários para produzir um estoque de várias folhas de papel sensibilizado. O calótipo seco tem o funcionamento semelhante ao filme fotográfico, ele pode ser guardado e usado e processado quando convir. Apenas os tempos de exposição e revelação são beeeeem mais longos.

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Eu vou ter que mostrar as imagens produzidas mais detalhadamente em algum outro post. Vou deixar algumas aqui do pessoal usando as cameras pela fazenda e alguns dos resultados.

Passe pelo slideshow:

O segundo curso eu chamei de “Explorações Visuais em Ambrotipia”. Foram três dias de muita fotografia em placa úmida de colódio. A idéia foi fornecer a estrutura e químicos necessários para os participantes ficarem mais livres para fotografar com a técnica sem se preocupar muito com formulações. Assim, eles puderam experimentar a rotina de se fotografar em ambrótipos e explorarem suas idéias visuais.

O primeiro ambrótipo da fazenda!
O primeiro ambrótipo da fazenda!

Durante a oficina, eles passaram pelos passos de corte de vidro e limpeza, aplicação do colódio, sensibilização da placa em banho de prata, revelação, fixação, envernizamento e guarda. Muita coisa!

Passe pelo slideshow:

Os alunos fizeram muita e muita foto. Não dá pra colocar tudo nesse post. Vou colocar apenas algumas imagens de cada um.

Passe pelo slideshow:

Obrigado e parabéns aos alunos dos dois cursos. Foi um prazer montar e tocar essas aulas nessa fazenda super gostosa! Obrigado a Mônica Machado pelo convite!

Acompanhe o Projeto Arte Fazenda no Facebook.

Grande abraço e até a próxima!

Roger Sassaki

A turma do curso de ambrótipos!
A turma do curso de ambrótipos!

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Visita ilustre: Miguel Chikaoka

Devo admitir que já fazem muitos dias, mas não quero deixar passar o registro desta visita ilustre a Casa Ranzini. Convidado pela Simone Wicca, o fotógrafo e educador Miguel Chikaoka foi em janeiro deste ano visitar as aventuras fotográficas do Imagineiro. O colega Guilherme Maranhão também estava lá para um bom bate papo no quintal. 🙂

O Miguel exerce um papel importante na fotografia nacional, principalmente na região de Belém do Pará onde atua a muitos anos pela Associação Fotoativa. Inclusive sua carreira está registrada no recente livro de Mariza Mokazel “Navegante da luz: Miguel Chikaoka e o navegar de uma produção experimental”. É de distribuição gratuita porém não sei como encontrar. O meu exemplar eu ganhei do próprio!

Espero em breve poder retribuir a visita, tenho muita vontade de conhecer os projetos lá de Belém. Mas por hora, como não podia deixar de ser, fiz um retrato do Miguel com a Simone, registrado pelo Guilherme Maranhão.

Abraços!

Roger Sassaki

Momento do registro na placa úmida de colódio. Registro de Guilherme Maranhão.
Momento do registro na placa úmida de colódio. Registro de Guilherme Maranhão.

Olha o vídeo do ambrótipo sendo fixado!

Miguel Chikaoka segurando o retrato em ambrótipo pronto e embalado. Registro de Simone Wicca.
Miguel Chikaoka segurando o retrato em ambrótipo pronto e embalado. Registro de Simone Wicca.

Colódio Bike no Sesc Pompeia!

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Este ano de 2014 fecha da melhor forma possível com esses dois dias de atividade fotográfica no Sesc Pompeia!

Nos dias 6 e 7/12 fomos convidados para estacionar nossa colódio-bike, o laboratório móvel de placa úmida, na área da convivência desta linda unidade do Sesc em SP. Foram duas tardes inteiras de demonstrações ao vivo do processo de fotografia em placa úmida de colódio, mais especificamente de ambrótipos. Ficamos imensamente agradecidos ao pessoal das oficinas do Sesc Pompeia por propor a ideia e propiciar esta atividade aberta e gratuita para todos.

Fizemos várias mini demonstrações de 40 minutos aproximadamente em que o público presente era convidado a participar da produção de um autêntico ambrótipo. Permeado por um pouco de história da fotografia e aspectos técnicos e de linguagem, o público pode ver um passo a passo do processo e se ver retratado no vidro.

Junto a esta empreitada, estavam a Anna Silveira e o Fernando Fortes que também fizeram a documentação fotográfica a seguir. 🙂

Muito obrigado ao público presente por ter cedido seu tempo e atenção para nossa atividade, contribuindo para as imagens e com ótimas perguntas.

Grande abraço!

Roger H. Sassaki

Fotografias!

Seguem os escaneamentos dos ambrótipos feitos. Depois duas galerias de fotos das atividades, uma de cada dia.

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Galeria do dia 6/12

Galeria do dia 7/12

A primeira turma de fotografia em calótipo seco!

Calótipo seco a direita e cópia positiva em cianótipo da aluna Flávia Bustamante.
Calótipo seco a direita e cópia positiva em cianótipo da aluna Flávia Bustamante.

Nos dias 20 a 23 de novembro de 2014, consegui ministrar a minha primeira turma de fotografia em calótipo seco no método Pélegry! É capaz até de ser a primeira turma no Brasil desse método de 1879.

Algumas pessoas que acompanham minhas pesquisas sabem que venho investigando calótipos há algum tempo. Este método em especial é muito interessante. São negativos de papel de longa duração. Podem ser armazenados prontos para uso e tem uma validade de vários meses. É uma técnica ótima para viajar por onde for com uma câmera de grande formato. É prático também para quem não tem muito tempo pra usar a técnica do calótipo úmido, que exige que a sensibilização, exposição e revelação sejam feitos no espaço de uma ou duas horas.

Esta primeira turma foi um grande desafio para mim. Eu me obriguei a sistematizar e redigir minhas anotações de pesquisa em forma de um manual em português, dado para os alunos. Também me forçou a praticar mais e a resolver a logística de ter vários alunos produzindo ao mesmo tempo.

Fico surpreso e contente que existam pessoas que se interessem por esta forma de fotografia a ponto de dedicarem 4 dias inteiros e seguidos no curso, durante um feriado ainda! Mais contente ainda que todas conseguiram fazer belas imagens e dominar este super complicado procedimento.

No primeiro dia, nos concentramos em produzir um lote de 30 folhas A4 sensibilizadas e secas, prontas para guarda e uso. Eu nem sei se precisava fazer tantas, mas achei importante fazer uma boa sobra para os alunos levarem folhas prontas para casa e continuarem a prática. E foi isso mesmo, cada um levou vários “pélegrys” prontos pra uso para si.

Folhas de papel no processo de se tornarem fotossensíveis.
Folhas de papel no processo de se tornarem fotossensíveis.

O segundo e terceiro dia foram inteiros dedicados para fotografar e revelar. Fizemos primeiro imagens dentro da Casa Ranzini e depois uma saída pelo centro de SP. Essa foi bem divertida e cansativa. Colocamos todo o equipamento e tripés em cima da minha bicicleta cargueira e partimos para o Viaduto do Chá, passando pela Praça da Sé. Os alunos puderam manusear cameras 4×5″ e a 10×12″, fazendo negativos até o tamanho de 21x30cm!

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No quarto e último dia, os negativos feitos e já processados, lavados e secos, foram encerados com cera de abelha para aumentar a transparência da base de papel. Haviam duas opções para se fazer as cópias positivas, ou em cianótipo ou em papel fotográfico PB.

Obrigado aos alunos por toparem essa atividade e confiarem em mim para dar a aula Sei que os alunos fazem uma aposta corajosa ao entrar nesses cursos “alienígenas”. Obrigado a assistência da Anna Silveira e do Fernando Fortes.

Espero muito poder abrir mais uma turma de calótipo seco no futuro. Foi bem divertido!

Abraços,

Roger Sassaki

Algumas fotos durante o curso

Fotografia em colódio e uma bicicleta: a colódio-bike :)

Roger Fenton Photographic Van 1854
O assistente Marcus Sparling e a “Photographic Van”, 1854, de Roger Fenton (Inglês, 1819-69). Cópia em papel salgado a partir de negativo de colódio úmido. Cortesia do Victoria and Albert Museum.
O laboratório móvel de placa úmida de colódio montado sobre a bicicleta!
O laboratório móvel de placa úmida de colódio montado sobre a bicicleta do Roger Sassaki!

O meu “xará” Roger Fenton, lá do século 19, já sabia das dificuldades de se fazer uma saída fotográfica por aí com placa úmida de colódio. Como a placa fotográfica precisa ser sensibilizada e revelada na hora em que for usada, é preciso carregar um mini laboratório consigo. Para complicar, na época não se ampliava fotos. O negativo tinha que ser feito do tamanho da cópia final desejada. Aumentando o tamanho do negativo, aumenta o tamanho de todo o equipamento de laboratório! Para ter uma idéia, meu kit básico para se fotografar em colódio é uma lista de pelo menos 30 itens diversos.

Quem acompanha este blog, já viu que eu já me aventurei por aí com o colódio em Paraty, Nazaré Paulista e até Ilha do Cardoso! Minha experiência nessas situações foi que dá pra fazer fotos externas sem muita estrutura. O principal é uma boa caixa de papelão convertida em Caixa Escura. Porém o grande problema é a quantidade enorme de coisas espalhadas pelo chão e o tempo que leva para recolher tudo e se deslocar para outro lugar.

A idéia de montar um laboratório móvel em uma bicicleta foi crescendo ao longo de alguns meses até eu ter a coragem de comprar uma bicicleta cargueira, dessas de padaria e açougue, e dar início a este projeto esquisito. A principal vantagem da bicicleta é seu acesso misto, ela pode circular por áreas de pedestres e de veículos. Além de ser fácil de parar em qualquer lugar, o que em SP é um grande trunfo. A bicicleta cargueira é dessas que tem um grande bagageiro frontal com um ótipo “pé” que deixa a bicicleta estável quando estacionada. É uma bancada portátil e pronta para pedalar!

A parte principal do colódio-bike é a caixa escura, onde acontece toda a preparação da placa fotográfica e sua revelação. Até onde sei, o modelo que construí não é exatamente o que costuma ser feito. Geralmente a caixa é feita para ser usada na posição vertical, a minha é na posição horizontal. Pensei assim para ficar mais estável de carregar na bike ser rápida de abrir e montar. Sua dimensão foi pensada em ser compatível com placas de até 25x30cm, apesar de ainda não ter usado esse tamanho nela. A altura total, quando aberta e colocada em cima da bicicleta, é compatível com minha altura, para poder trabalhar confortavelmente em pé sem me curvar.

A caixa escura quando fechada permite o deslocamento fácil com a bicicleta, que pode entrar onde um carro não pode :) (foto de Ligia Minami)
A caixa escura quando fechada permite o deslocamento fácil com a bicicleta, que pode entrar onde um carro não pode 🙂 (foto de Ligia Minami)
A caixa fechada para transporte. Vira uma maleta razoavelmente leve.
A caixa fechada para transporte. Vira uma maleta razoavelmente leve.

Construída inteira em madeira compensada, seu interior foi pintado em tinta amarela clara. Isso permite que o interior fique bem mais luminoso e fácil de achar as coisas. Minhas caixas anteriores eram escuras por dentro e era impossível de ver frascos e tais. Aumentava bastante a chance de derrubar algo por esbarrão. A iluminação vem de uma luzinha vermelha de bicicleta presa na parte superior. Por sinal, a mesma luz que uso na bicicleta 🙂

Vista do laboratório por dentro com a bicicleta estacionada.
Vista do laboratório por dentro com a bicicleta estacionada.
Pintando as partes de madeira. Sobre uma base branca, foi usado uma tinta amarela para deixar o interior mais claro, mesmo com a luz vermelha.
Pintando as partes de madeira. Sobre uma base branca, foi usado uma tinta amarela para deixar o interior mais claro, mesmo com a luz vermelha.
Peças de madeira dos vários encaixes. Foram lixadas e receberam uma camada de "stain".
Peças de madeira dos vários encaixes. Foram lixadas e receberam uma camada de “stain”.
Detalha dos bra os que suportam o tecido preto.
Detalha dos bra
os que suportam o tecido preto.
Uma imagem do interior da caixa.
Uma imagem do interior da caixa.
Mais tarde foi adicionado uma prateleira para liberar mais espaço embaixo.
Mais tarde foi adicionado uma prateleira para liberar mais espaço embaixo.

O tecido escuro que veda tudo é um nylon “rip-stop” fino, desses de fazer agasalho. Ele é bem leve e aguenta bem água. Usei duas camadas, uma preta e uma vermelha na esperança de deixá-lo bem opaco à luz. Porém depois de feito, percebi logo no ensolarado dia seguinte, que a luz passa por ambas as camadas. Resolvi ir em frente e fazer o teste de estréia da caixa ainda na Casa Ranzini e constatei que a luz que passa pelo tecido não vela o colódio sensibilizado! Eba! Acredito que por ser um nylon “esportivo” ele deve ter uma filtragem UV. Melhor impossível, a caixa fica iluminada por uma luz que não vela a placa. Obrigado a Simone Wicca pelo tempo e dedicação de modelar e costurar todo o tecido!

Planejando o molde do tecido com papel. A madeira ainda não foi pintada.
Planejando o molde do tecido com papel. A madeira ainda não foi pintada.
Ajustando o tecido para ser costurado.
Ajustando o tecido para ser costurado.
Fixando o tecido na estrutura de madeira.
Fixando o tecido na estrutura de madeira.

No bagageiro traseiro eu quero fazer uma outra caixa para acondicionar os químicos e alguns equipamentos de forma que eu possa usar tudo sem colocar nada no chão. Ainda não tive tempo pra fazer isso e tenho usado uma caixa de ferramentas de plástico. Não é o ideal mas por enquanto é o que temos.

A bagunça da caixa traseira. (foto de Ligia Minami)
A bagunça da caixa traseira. (foto de Ligia Minami)

O legal é que a Caixa escura pode ser usada também fora da bicicleta, sobre uma mesa. Inclusive já usamos durante nossa apresentação na Virada Cultural do Sesc e em sessões de retrato na própria Casa Ranzini.

Fernando Fortes Fazendo um retrato de Gerson Tung.
Fernando Fortes fazendo um retrato de Gerson Tung.

Já fiz algumas saídas com o colódio-bike e, posso dizer, é muito legal! Dá trabalho pra preparar a saída, é pesada pra pedalar, leva tempo embaixo do sol mas vale muito a pena. É muito bom poder sair do laboratório e fotografar pela cidade. Pedalar e ir escolhendo a paisagem e a cena. Fazer a foto e ver o resultado na hora!

Quero agradecer aos amigos que ajudaram nesses passos importantíssimos: Waldir Salvadore, Fernando Fortes, Anna Silveira, Paula Martinelli, Lígia Minami, Lúcio Libanori e Dartagnan.

Abraços!

Roger H. Sassaki

Veja algumas saídas já feitas. Clique nas imagens para vê-las maior.

Saída de estréia

Pelas ruas da Liberdade aproveitando a ciclofaixa do domingo. (foto de Simone Wicca)
Pelas ruas da Liberdade aproveitando a ciclofaixa do domingo. (foto de Simone Wicca)
Ao lado da Catedral da Sé para estrear o colódio-bike (foto de Simone Wicca)
Ao lado da Catedral da Sé para estrear o colódio-bike (foto de Simone Wicca)
(foto de Simone Wicca)
(foto de Simone Wicca)
Fixando! (foto de Simone Wicca)
Fixando! (foto de Simone Wicca)
A imagem já fixada! (foto de Simone Wicca)
A imagem já fixada! (foto de Simone Wicca)
Tã-dãã! (foto de Simone Wicca)
Tã-dãã! (foto de Simone Wicca)

Minhocão e Praça Roosevelt

Minhocão de domingo é ótimo pra fotografar e andar de bicicleta!
Minhocão de domingo é ótimo pra fotografar e andar de bicicleta!
A camera "meia-placa" e o lab preparado pra uso.
A camera “meia-placa” e o lab preparado pra uso.
Um grupo de alunos de fotografia que estava passando se interessa pelo processo.
Um grupo de alunos de fotografia que estava passando se interessa pelo processo.
A imagem sendo fixada.
A imagem sendo fixada.
A imagem final da Praça Roosevelt.
A imagem final da Praça Roosevelt.

Rua 15 de Novembro e Palácio das Indústrias

Preparando o lab com Lúcio Libanori (foto de Waldir Salvadore)
Preparando o lab com Lúcio Libanori (foto de Waldir Salvadore)
Na caixa de trás vai tudo que é frágil (foto de Waldir Salvadore)
Na caixa de trás vai tudo que é frágil (foto de Waldir Salvadore)
(foto de Waldir Salvadore)
(foto de Waldir Salvadore)
Um ambrótipo na caixa de transporte. (foto de Waldir Salvadore)
Um ambrótipo na caixa de transporte. (foto de Waldir Salvadore)
No fixador.
No fixador.
A bicicleta no viaduto que circunda o Palácio das Indústrias. (foto de Waldir Salvadore)
A bicicleta no viaduto que circunda o Palácio das Indústrias. (foto de Waldir Salvadore)
Fotos prontas na hora!
Fotos prontas na hora!
Palácio das Indústrias.
Palácio das Indústrias.
(foto de Waldir Salvadore)
(foto de Waldir Salvadore)
Nada como fotografar ao ar livre. Nem é tanta tralha.
Nada como fotografar ao ar livre. Nem é tanta tralha.
Grandes assistentes Waldir Salvadore e Lúcio Libanori.
Grandes assistentes Waldir Salvadore e Lúcio Libanori.

Palácio das Indústrias

(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
Dosando o Revelador. (foto de Lígia Minami)
Dosando o Revelador. (foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
Indo… (foto de Lígia Minami)
Indo… (foto de Lígia Minami)
Eu e o Fernando Fortes retornando com o laboratório móvel para nossa base na Casa Ranzini. (foto de Lígia Minami)
Eu e o Fernando Fortes retornando com o laboratório móvel para nossa base na Casa Ranzini. (foto de Lígia Minami)