Fixador de Tiossulfato de sódio – porcentagens e conversões

O fixador fotográfico de Tiossulfato de Sódio (Hypo) é frequentemente usado em processo fotográficos a base de prata devido a seu baixo custo e simplicidade. Como também é o fixador mais antigo na fotografia, ele é muito referenciado em livros de receitas fotográficas. Porém existe uma coisa para ficarmos atentos.

Existem duas formas de Tiossulfato de Sódio, o anidro e o penta-hidratado. Quando um reagente leva o termo “anidro” ao final do nome, ele não contém moléculas de água. No caso do Tiossulfato de sódio, significa que sua molécula tem apenas Na2S2O3. Ou seja, 100% do peso é de tiossulfato de sódio.

A forma penta-hidratado é a molécula de tiossulfato de sódio mais cinco moléculas de água – Na2S2O3.5H2O. Ou seja, apenas uma parte do peso da molécula é realmente o tiossulfato de sódio, a outra é água. O penta-hidratado tem forma de cristais geométricos, e é o que eu sempre encontrei. O Anidro eu nunca vi e parece que é em forma de pó. Vale sempre olhar o rótulo do reagente onde deve ter a molécula descrita.

Assim, se uma receita de fixador pede uma medida de peso de tiossulfato anidro e você só tem o penta-hidratado é necessário aumentar a medida para se compensar o peso das moléculas de água, senão a porcentagem final ficará mais fraca.

Comparando o peso molecular das duas formas (Anidro: 158g/mol; Penta-hidratado:248g/mol), é possível concluir que se desejar usar penta-hidratado no lugar de anidro, é necessário multiplicar o peso pedido por 1,57. Ou seja, se na receita pede 100g de tiossulfato de sódio anidro, é possivel usar 157g da forma penta-hidratada no lugar e manter a concentração pretendida.

A dificuldade é saber a qual forma a receita se refere pois raramente vem descrito qual usar. Talvez seja melhor presumir que sempre é anidro pois no pior caso, você terá feito uma solução mais concentrada que o necessário ao invés de mais fraca, o que poderia trazer problemas de véu posteriormente.

Por exemplo, no livro The Book of Alternative Photographic Processes de Christopher James, ele lista o Tiossulfato de Sódio com CAS (numero de catálogo internacional) 7772-98-7 que se refere a forma anidra. A forma penta-hidratada tem o CAS# 10102-17-7. Esses números CAS são muito úteis para essa distinção.

Segue uma boa receita de Fixador Simples, proposto pelo Ansel Adams e comentado por Lloyd Erlick em seu blog.

Fixador Simples

(água destilada é recomendada)

Água a 26ºC 750ml
Tiossulfato de sódio anidro 125 gramas
(para penta-hidratado use 250g e água a 50ºC)
Sulfito de sódio
(Use mais sulfito se pretender armazenar por mais tempo, mas 2 meses é o máximo)
30 a 60 gramas
Água fria para completar 1000ml
USO: Não diluir. De preferência usar em temperatura próxima a 20ºC.
CAPACIDADE: 25 cópias 20x25cm, ou área equivalente, por litro. Para filme, 25 rolos 35 mm (36 poses) ou 25 rolos de formato 120, ou área equivalente, por litro. (Alguns filmes gastam o fixador mais rapidamente. Os filmes tabulares Kodak, como T-Max 100 e 400, são bons exemplos. Esses filmes precisam de fixação por 10 minutos e o fixador rende metade da estimativa acima.)

Abraços,

Roger Sassaki

Refazer é criar? Militão novamente

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Na quarta-feira dia 24/02/2016, fiz uma rápida saída fotográfica pelo centro de São Paulo. Foram feitas apenas 4 fotos, os primeiros testes da minha idéia de projeto fotográfico. Ele ainda não tem nome e nem uma direção muito certa. O ponto de partida é recriar algumas das vistas feitas por Militão Augusto de Azevedo na São Paulo de 1862, assim como já feito inúmeras vezes por outros fotógrafos ao longo dos anos. A minha abordagem é recriar as vistas antigas na técnica fotográfica que ele usou na época, o negativo de vidro de placa úmida de colódio.

Acredito que retratar as ruas de hoje com a técnica de 1862 irá trazer uma representação interessante da SP atual e fazer uma comparação mais próxima (quanto a influência do aparelho fotográfico) com a São Paulo Antiga. Mas isso é uma suposição e essas primeiras imagens e mais algumas, feitas nos ângulos próximos a de Militão irão me mostrar melhor se há um caminho interessante a seguir.

Ademais, senão pelo valor artístico, espero que o lado técnico também agregue um valor a nossa fotografia brasileira. No pouco que pesquisei sobre Militão, observei uma carência e certa imprecisão nas explicações do processo de trabalho com placa úmida. Reconheço que talvez a imprecisão não faça muita diferença aos discursos que geralmente são mais antropológicos do que fotográficos. Porém, também não atrapalha termos a coisa descrita de uma forma mais completa. Acho que existe uma falta mesmo de referências em português sobre a técnica da placa úmida.

Um outro interesse que se destaca é ver os objetos, os negativos de vidro e o que isso implica nas cópias que ele produziu. Pelo que entendi, os negativos originais de vidro usados para a produção das cópias dos álbuns originais se perderam. Os negativos de vidro que existem são já reproduções das páginas dos álbuns feitos bem posteriormente por outro fotógrafo já no século 20. Minha pesquisa incluí presumir o tamanho físico das placas originais e fazer as cópias em papel nas mesmas escolhas de refilamento de Militão. As pessoas poderão ver, mesmo que sendo uma recriação, como que os negativos de Militão se pareciam em sua materialidade.

A imagem que abre esse artigo é um dos negativos que fiz nesta saída do dia 24/2 da rua Roberto Simonsen no centro de SP. É uma vista próxima a de Militão em 1862 quando ainda se chamava Rua do Carmo. Abaixo você pode ver tanto uma reprodução da imagem de Militão (acima) quanto a cópia positiva do negativo feito agora em papel salgado. Uma diferença importante, que abordarei em minha pesquisa é que as imagens de Militão são sempre refiladas nas bordas. Esta cópia em papel salgado mostra o negativo inteiro, com as imperfeições das bordas.

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Os únicos prédios originais que restaram é o Solar da Marquesa, o sobrado ao centro e aparentemente a Casa da Imagem. Bem ao fundo da vista, no final da rua, é possível ver a parede lateral da Igreja do Pátio do colégio nas duas imagens. Porém é sempre bom relembrar que a Igreja atual não é a original, foi demolida e reconstruída. Na foto atual o poste de luz cobre parte da vista e fiquei pensando em como resolvê-lo. Eu podia mover a a câmera um pouco para a direita e liberar a vista. Fico pensando o quanto é bom “limpar o enquadramento” ou se é natural deixar os obstáculos modernos atrapalharem a vista, que é o que eles fazem mesmo 😉 Também, mais a direita eu ficaria na rua e numa quarta-feira ela é bem movimentada. Preciso ver se consigo atrapalhar o trânsito por alguns minutos sem ninguém querer passar o carro por cima da câmera.

Gosto de ver como o longo tempo de exposição – 12 segundos – fez os carros da rua sumirem e algumas pessoas ficarem borradas ou desaparecerem totalmente. Ficou parecendo uma rua tão calma quanto em 1862? As duas fotos possuem pessoas indefinidas. Não sei quem são os de 1862 mas já deixo registrado que os de hoje são os funcionários dos estacionamentos, agitando os braços pra chamar os carros pra dentro. Tem também os carros estacionados ao invés da carroça ao fundo em 1862.

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Fiz também nesta mesma saída uma vista da descida da Rua General Carneiro. O negativo não ficou muito bom, mas posso abordá-lo em um próximo post.

Vamos ver até onde o projeto anda e quais discussões interessantes que podem surgir com o seu andar. Estou tentando aproveitar as manhãs de sol para fotografar mas é um processo lento de criação. Tentarei uma saída por semana pelo menos nesses próximos meses.

Quem tiver interesse de apoiar essa pesquisa, tanto financeiramente quanto com conhecimento ou o que for, por favor entre em contato comigo! Aliás, ao longo da pesquisa, irei fazer muitas cópias em papel das imagens produzidas, podendo ser em papel salgado, albúmem ou colódio cloreto. Vocês podem comprar essas cópias ou pedir cópias de imagens específicas para ajudar a financiar este trabalho.

Agradeço ao amigo Maurício Sapata por me fazer assistência nesta saída fotográfica e fazer algumas imagens de registro que aqui estão.

Abraços,

Roger H. Sassaki

Cópia em Papel Salgado tonalizado com ouro a partir de negativo de vidro 20x25cm de placa úmida de colódio.
Cópia em Papel Salgado tonalizado com ouro a partir de negativo de vidro 20x25cm de placa úmida de colódio.

Câmera Oca – Uma grande formato de montar

Podemos construir nossa própria câmera para processos fotográficos químicos?

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O projeto da Câmera Oca nasceu das conversas entre o fotógrafo Guilherme Maranhão e eu (Roger Sassaki) sobre a dificuldade que nossos alunos e colegas tem em achar uma câmera de grande formato para continuar a prática fotográfica de nossos cursos. Conversamos muito sobre como seria legal desenvolver uma câmera que pudesse ser montada por cada um durante uma oficina de poucos dias. O Guilherme se utiliza dos filmes em chapas para radiografia em suas investigações e trabalhos e eu utilizo câmeras de grande formato para fotografar em calótipos e placa úmida de colódio. Assim, a Oca foi projetada para aceitar em seu chassi processos de captura em placas, seja em processo úmido ou seco e também com filmes fotográficos em chapas até o tamanho de 13x18cm (5×7 polegadas) ou o formato quadrado de 16x16cm.

Parte traseira com vidro despolido que é retirado para o encaixe do chassi para placa fotográfica.
Parte traseira com vidro despolido que é retirado para o encaixe do chassi para placa fotográfica.
Chassi para a placa fotográfica com uma placa de 13x18cm. A placa pode ser colocada na horizontal ou vertical.
Chassi para a placa fotográfica com uma placa de 13x18cm. A placa pode ser colocada na horizontal ou vertical.

A Câmera Oca é uma mistura de modelos do início da fotografia e algumas soluções posteriores. Não é uma réplica de nenhum modelo que existiu. Ela é baseada em caixas deslizantes para ajustar o foco e na troca da peça do despolido para o chassi vedado à luz para a placa fotossensível. O chassi tem algumas características dos feitos para placa úmida de colódio no séc. 19. A objetiva é um modelo de lentes simétricas não acromáticas com diafragma “waterhouse”.

A escolha dos materiais e soluções do projeto também levou em conta a simplicidade na construção, a disponibilidade e baixo custo das peças e a possibilidade de ser montado por uma pessoa sem habilidades em marcenaria e sem maquinário pesado, somente ferramentas simples. A Oca é entregue em formato de kit de peças pré cortadas para colagem e leve ajuste final.

Além destes objetivos práticos, também pensamos que a construção é uma ótima oportunidade para o aluno descobrir o aparelho fotográfico. Durante a montagem o projeto é explicado e o aluno consegue entender a função de cada coisa feita e sua implicação na formação da imagem final. Esperamos que ele ganhe as noções necessárias para modificar o projeto posteriormente de acordo com suas necessidades.

Os Testes

Depois de construir nosso protótipo da Oca, fomos fazer o “teste de sanidade”! A primeira imagem foi feita na Casa Ranzini de uma simples cena, um ambrótipo em vidro.

Ambrótipo 13x18cm feito com o protótipo da Câmera OCA.
Ambrótipo 13x18cm feito com o protótipo da Câmera OCA.

Depois, fomos testar fotografar com chapa para raio-x e escolhemos fazer um retrato do Celso Eberhardt, o técnico super-super de concerto de câmeras fotográficas! Imagens raras do homem em sua oficina.

Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.

A primeira turma da oficina!

Então resolvemos ver se realmente tem gente por aí querendo construir sua própria câmera e abrimos inscrições para um primeiro grupo de alunos. Para nossa felicidade, sim – existem!

Foram 5 dias de oficina, três horas por dia nas primeiras manhãs no ateliê do Guilherme e um dia final no meu espaço na Casa Ranzini para fotografar com as câmeras prontas. Estávamos um pouco apreensivos como as coisas caminhariam mas os alunos foram ótimos na habilidade de montar a encrenca, no convívio, ajuda entre eles e compartilhamento das ferramentas. Foi ótimo ver o cuidado com que montaram as peças e a empolgação e carinho crescente com suas criações a medida que os sacos de ripas desconexas de madeira se transformavam em câmeras fotográficas.

Navegue pela galeria de fotos feitas durante o curso:

Para ficar sabendo de novas turmas desta oficina, assine a newsletter: http://eepurl.com/dTHUL

Grande Abraço!

Roger H. Sassaki

Ambrótipos no Festival de Inverno de Paranapiacaba 2015

Ambrótipo 12x16,5cm. Julho, 2015. Roger H. Sassaki.
Ambrótipo 12×16,5cm. Julho, 2015. Roger H. Sassaki.

Colódio-bike visita a Vila de Paranapiacaba!

Fomos convidados pelo SESC Santo André para participar da edição de 2015 do Festival de Inverno de Paranapiacaba levando a Colódio-bike para fazer demonstrações de ambrotipia pelas ruas. Levar uma técnica inglesa do século 19 para uma vila inglesa do século 19 pareceu fazer todo o sentido e aceitamos prontamente! Para esta atividade, tive a assistência dos colegas Lucio Libanori e Maurício Sapata.

Sempre tive vontade de conhecer a cidade e estava empolgado com a oportunidade de justamente ter a melhor desculpa para levar todo o equipamento para lá. O maior medo era a tal da famosa neblina que vem das montanhas e cobre tudo. E não é que chegamos na sexta feira as 17h no meio de uma neblina fechada de não ter nem dez metros de visibilidade?

Sábado de manhã acordamos cedo pra montar a bicicleta e já sair pra fazer alguns testes e se divertir. Fomos até a entrada de carros da cidade para fazer a foto da locomotiva que está aí no começo do post. Algumas pessoas já foram ver o que estávamos fazendo. 😉

(clique para ver maior)

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O Lucio e o Maurício também fizeram umas imagens no mesmo local:

Ambrótipo 12x16,5cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Ambrótipo 12×16,5cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Ambrótipo 12x16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.
Ambrótipo 12×16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.

Aproveitei para fazer duas chapas 4×5″em calótipo seco Pelegry. Veja os negativos e depois a inversão digital.

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Das 15h30min as 17h30min fizemos nossa apresentação (nos dois dias) no coreto da praça, ao lado do Clube Lira. Com cerca de 40minutos cada, fizemos uma sequência de demonstrações de como se fotografar em placa úmida de colódio. Para isso, o público foi convidado para posar para uma foto e ver cada passo necessário para se sensibilizar a placa de vidro, expor, revelar e fixar a imagem.

O dia de sol e calor ficou frio e uma super neblina tomou conta da cidade. Estávamos com uma iluminação artificial elétrica “engatada” para se ficasse muito escuro para se fotografar. Mas acabamos encarando a neblina e alongando um pouco o tempo de exposição para até 12 segundos. O resultado dá pra ver nos ambrótipos feitos.

(clique para ampliar)

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A seguir, estão todos os ambrótipos feitos dos grupos nos dois dias. Não estão na ordem feita pois embaralhamos tudo… (maus aí).

(clique para ampliar)

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No segundo dia, domingo, acordamos cedo novamente para explorar fotograficamente a área dos trilhos onde fica a passarela de entrada (a pé) da parte baixa da vila. Depois, levamos a colódio-bike até a lateral do mercado para fazer mais algumas imagens.

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Ambrótipo, 12x16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.
Ambrótipo, 12×16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.
Negativo de colódio, 12x16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.
Negativo de colódio, 12×16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.
Inversão digital.
Inversão digital.
Calótipo Seco, 10x12cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Calótipo Seco, 10x12cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Inversão digital.
Inversão digital.
Ambrótipo, 12x16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.
Ambrótipo, 12×16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.

E dessa aventura ficou uma vontade de voltar para lá e fotografar muito mais! Quem sabe até fazer uma semana de imersão por lá com oficinas de ambrotipo e calótipo? Tenho vontade!

Abraços

Roger H. Sassaki

Envernizando ambrótipos com Goma Sandaraca

Não sou muito de fazer vídeos, mas vou tentar mudar isso. A câmera é beeem simples! Gravei este quando estava a envernizar um monte de ambrótipos. Faz parte da minha tentativa de arrumar a grande quantidade de placas de vidro que já acumulei. Muitas muitas.

No vídeo eu uso a receita tradicional de verniz a base de goma sandaraca e óleo de lavanda. A receita esta nesse blog. Você pode ver que eu uso a lamparina a álcool para aquecer e secar a placa e depois para secar o verniz. Recentemente eu recebi uma doação de uma placa elétrica aquecida. É bem antiga, tem cara de anos 70. É uma base de vidro e um interruptor de liga-desliga, só. Eu controlo a temperatura (70-100˚C) olhando um termômetro de metal que deixo em cima da base. Fiz uma tampa de acrílico para ela para evitar um pouco que pó caia sobre o verniz. A placa tem sido de grande ajuda para secar o verniz das placas, principalmente das grandes. Após secar um pouco sobre a lamparina, eu deito a placa na chapa e deixo lá uns dez minutos.

Desculpe a falta de produção do vídeo, fica como um registro para curiosos do processo.

Abraços!

Roger Sassaki

Projeto Arte Fazenda, janeiro de 2015

Existem aqueles problemas que você torce pra tê-los. Montar dois cursos sequenciais para o Projeto Arte Fazenda foi bem o caso. Fui convidado pela fotógrafa e educadora Mônica Machado para participar dos primeiros passos do novo local para residências artísticas em Minas Gerais. A antiga fazenda está transformando sua estrutura para abrigar artistas dispostos a passar períodos hospedados no local, se concentrando em sua produção autoral.

Uma das áreas de descanso da linda fazenda
Uma das áreas de descanso da linda fazenda

Nada melhor do que começar também pelos primeiros passos da fotografia. O plano foi dar duas oficinas de processos de captura fotográfica do século 19: negativo de papel – calótipo – e positivos de vidro em placa úmida de colódio, os ambrótipos. São duas técnicas que foram muito importantes para os primeiros 40 anos da arte fotográfica.

Antes dos cursos começarem, o local recebem uma boa reforma e arrumação da Mônica e do Bruno Claro, que também deu assistência valiosa aos cursos.

O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.

O primeiro curso foi de 4 dias sobre os calótipos. No caso, a variante seca desenvolvida pelo francês Arsène Pélegry em 1879. Os alunos passaram por todos os passos necessários para produzir um estoque de várias folhas de papel sensibilizado. O calótipo seco tem o funcionamento semelhante ao filme fotográfico, ele pode ser guardado e usado e processado quando convir. Apenas os tempos de exposição e revelação são beeeeem mais longos.

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Eu vou ter que mostrar as imagens produzidas mais detalhadamente em algum outro post. Vou deixar algumas aqui do pessoal usando as cameras pela fazenda e alguns dos resultados.

Passe pelo slideshow:

O segundo curso eu chamei de “Explorações Visuais em Ambrotipia”. Foram três dias de muita fotografia em placa úmida de colódio. A idéia foi fornecer a estrutura e químicos necessários para os participantes ficarem mais livres para fotografar com a técnica sem se preocupar muito com formulações. Assim, eles puderam experimentar a rotina de se fotografar em ambrótipos e explorarem suas idéias visuais.

O primeiro ambrótipo da fazenda!
O primeiro ambrótipo da fazenda!

Durante a oficina, eles passaram pelos passos de corte de vidro e limpeza, aplicação do colódio, sensibilização da placa em banho de prata, revelação, fixação, envernizamento e guarda. Muita coisa!

Passe pelo slideshow:

Os alunos fizeram muita e muita foto. Não dá pra colocar tudo nesse post. Vou colocar apenas algumas imagens de cada um.

Passe pelo slideshow:

Obrigado e parabéns aos alunos dos dois cursos. Foi um prazer montar e tocar essas aulas nessa fazenda super gostosa! Obrigado a Mônica Machado pelo convite!

Acompanhe o Projeto Arte Fazenda no Facebook.

Grande abraço e até a próxima!

Roger Sassaki

A turma do curso de ambrótipos!
A turma do curso de ambrótipos!

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Colódio Bike no Sesc Pompeia!

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Este ano de 2014 fecha da melhor forma possível com esses dois dias de atividade fotográfica no Sesc Pompeia!

Nos dias 6 e 7/12 fomos convidados para estacionar nossa colódio-bike, o laboratório móvel de placa úmida, na área da convivência desta linda unidade do Sesc em SP. Foram duas tardes inteiras de demonstrações ao vivo do processo de fotografia em placa úmida de colódio, mais especificamente de ambrótipos. Ficamos imensamente agradecidos ao pessoal das oficinas do Sesc Pompeia por propor a ideia e propiciar esta atividade aberta e gratuita para todos.

Fizemos várias mini demonstrações de 40 minutos aproximadamente em que o público presente era convidado a participar da produção de um autêntico ambrótipo. Permeado por um pouco de história da fotografia e aspectos técnicos e de linguagem, o público pode ver um passo a passo do processo e se ver retratado no vidro.

Junto a esta empreitada, estavam a Anna Silveira e o Fernando Fortes que também fizeram a documentação fotográfica a seguir. 🙂

Muito obrigado ao público presente por ter cedido seu tempo e atenção para nossa atividade, contribuindo para as imagens e com ótimas perguntas.

Grande abraço!

Roger H. Sassaki

Fotografias!

Seguem os escaneamentos dos ambrótipos feitos. Depois duas galerias de fotos das atividades, uma de cada dia.

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Galeria do dia 6/12

Galeria do dia 7/12

Canal Arte 1 faz matéria sobre os Ambrótipos

O canal brasileiro Arte 1 fez uma matéria sobre meu trabalho com ambrótipos e passeou comigo para registrar o uso da colódio-bike pelo centro de SP.

O resultado está aí. A matéria foi ao ar em 1/10/2014 no programa Em Movimento.

Obrigado a Livia Sousa e Maria Inês pela matéria e ao Fernando Fortes pela assistência no dia.

Abraços,
Roger Sassaki

Fotografia em colódio e uma bicicleta: a colódio-bike :)

Roger Fenton Photographic Van 1854
O assistente Marcus Sparling e a “Photographic Van”, 1854, de Roger Fenton (Inglês, 1819-69). Cópia em papel salgado a partir de negativo de colódio úmido. Cortesia do Victoria and Albert Museum.
O laboratório móvel de placa úmida de colódio montado sobre a bicicleta!
O laboratório móvel de placa úmida de colódio montado sobre a bicicleta do Roger Sassaki!

O meu “xará” Roger Fenton, lá do século 19, já sabia das dificuldades de se fazer uma saída fotográfica por aí com placa úmida de colódio. Como a placa fotográfica precisa ser sensibilizada e revelada na hora em que for usada, é preciso carregar um mini laboratório consigo. Para complicar, na época não se ampliava fotos. O negativo tinha que ser feito do tamanho da cópia final desejada. Aumentando o tamanho do negativo, aumenta o tamanho de todo o equipamento de laboratório! Para ter uma idéia, meu kit básico para se fotografar em colódio é uma lista de pelo menos 30 itens diversos.

Quem acompanha este blog, já viu que eu já me aventurei por aí com o colódio em Paraty, Nazaré Paulista e até Ilha do Cardoso! Minha experiência nessas situações foi que dá pra fazer fotos externas sem muita estrutura. O principal é uma boa caixa de papelão convertida em Caixa Escura. Porém o grande problema é a quantidade enorme de coisas espalhadas pelo chão e o tempo que leva para recolher tudo e se deslocar para outro lugar.

A idéia de montar um laboratório móvel em uma bicicleta foi crescendo ao longo de alguns meses até eu ter a coragem de comprar uma bicicleta cargueira, dessas de padaria e açougue, e dar início a este projeto esquisito. A principal vantagem da bicicleta é seu acesso misto, ela pode circular por áreas de pedestres e de veículos. Além de ser fácil de parar em qualquer lugar, o que em SP é um grande trunfo. A bicicleta cargueira é dessas que tem um grande bagageiro frontal com um ótipo “pé” que deixa a bicicleta estável quando estacionada. É uma bancada portátil e pronta para pedalar!

A parte principal do colódio-bike é a caixa escura, onde acontece toda a preparação da placa fotográfica e sua revelação. Até onde sei, o modelo que construí não é exatamente o que costuma ser feito. Geralmente a caixa é feita para ser usada na posição vertical, a minha é na posição horizontal. Pensei assim para ficar mais estável de carregar na bike ser rápida de abrir e montar. Sua dimensão foi pensada em ser compatível com placas de até 25x30cm, apesar de ainda não ter usado esse tamanho nela. A altura total, quando aberta e colocada em cima da bicicleta, é compatível com minha altura, para poder trabalhar confortavelmente em pé sem me curvar.

A caixa escura quando fechada permite o deslocamento fácil com a bicicleta, que pode entrar onde um carro não pode :) (foto de Ligia Minami)
A caixa escura quando fechada permite o deslocamento fácil com a bicicleta, que pode entrar onde um carro não pode 🙂 (foto de Ligia Minami)
A caixa fechada para transporte. Vira uma maleta razoavelmente leve.
A caixa fechada para transporte. Vira uma maleta razoavelmente leve.

Construída inteira em madeira compensada, seu interior foi pintado em tinta amarela clara. Isso permite que o interior fique bem mais luminoso e fácil de achar as coisas. Minhas caixas anteriores eram escuras por dentro e era impossível de ver frascos e tais. Aumentava bastante a chance de derrubar algo por esbarrão. A iluminação vem de uma luzinha vermelha de bicicleta presa na parte superior. Por sinal, a mesma luz que uso na bicicleta 🙂

Vista do laboratório por dentro com a bicicleta estacionada.
Vista do laboratório por dentro com a bicicleta estacionada.
Pintando as partes de madeira. Sobre uma base branca, foi usado uma tinta amarela para deixar o interior mais claro, mesmo com a luz vermelha.
Pintando as partes de madeira. Sobre uma base branca, foi usado uma tinta amarela para deixar o interior mais claro, mesmo com a luz vermelha.
Peças de madeira dos vários encaixes. Foram lixadas e receberam uma camada de "stain".
Peças de madeira dos vários encaixes. Foram lixadas e receberam uma camada de “stain”.
Detalha dos bra os que suportam o tecido preto.
Detalha dos bra
os que suportam o tecido preto.
Uma imagem do interior da caixa.
Uma imagem do interior da caixa.
Mais tarde foi adicionado uma prateleira para liberar mais espaço embaixo.
Mais tarde foi adicionado uma prateleira para liberar mais espaço embaixo.

O tecido escuro que veda tudo é um nylon “rip-stop” fino, desses de fazer agasalho. Ele é bem leve e aguenta bem água. Usei duas camadas, uma preta e uma vermelha na esperança de deixá-lo bem opaco à luz. Porém depois de feito, percebi logo no ensolarado dia seguinte, que a luz passa por ambas as camadas. Resolvi ir em frente e fazer o teste de estréia da caixa ainda na Casa Ranzini e constatei que a luz que passa pelo tecido não vela o colódio sensibilizado! Eba! Acredito que por ser um nylon “esportivo” ele deve ter uma filtragem UV. Melhor impossível, a caixa fica iluminada por uma luz que não vela a placa. Obrigado a Simone Wicca pelo tempo e dedicação de modelar e costurar todo o tecido!

Planejando o molde do tecido com papel. A madeira ainda não foi pintada.
Planejando o molde do tecido com papel. A madeira ainda não foi pintada.
Ajustando o tecido para ser costurado.
Ajustando o tecido para ser costurado.
Fixando o tecido na estrutura de madeira.
Fixando o tecido na estrutura de madeira.

No bagageiro traseiro eu quero fazer uma outra caixa para acondicionar os químicos e alguns equipamentos de forma que eu possa usar tudo sem colocar nada no chão. Ainda não tive tempo pra fazer isso e tenho usado uma caixa de ferramentas de plástico. Não é o ideal mas por enquanto é o que temos.

A bagunça da caixa traseira. (foto de Ligia Minami)
A bagunça da caixa traseira. (foto de Ligia Minami)

O legal é que a Caixa escura pode ser usada também fora da bicicleta, sobre uma mesa. Inclusive já usamos durante nossa apresentação na Virada Cultural do Sesc e em sessões de retrato na própria Casa Ranzini.

Fernando Fortes Fazendo um retrato de Gerson Tung.
Fernando Fortes fazendo um retrato de Gerson Tung.

Já fiz algumas saídas com o colódio-bike e, posso dizer, é muito legal! Dá trabalho pra preparar a saída, é pesada pra pedalar, leva tempo embaixo do sol mas vale muito a pena. É muito bom poder sair do laboratório e fotografar pela cidade. Pedalar e ir escolhendo a paisagem e a cena. Fazer a foto e ver o resultado na hora!

Quero agradecer aos amigos que ajudaram nesses passos importantíssimos: Waldir Salvadore, Fernando Fortes, Anna Silveira, Paula Martinelli, Lígia Minami, Lúcio Libanori e Dartagnan.

Abraços!

Roger H. Sassaki

Veja algumas saídas já feitas. Clique nas imagens para vê-las maior.

Saída de estréia

Pelas ruas da Liberdade aproveitando a ciclofaixa do domingo. (foto de Simone Wicca)
Pelas ruas da Liberdade aproveitando a ciclofaixa do domingo. (foto de Simone Wicca)
Ao lado da Catedral da Sé para estrear o colódio-bike (foto de Simone Wicca)
Ao lado da Catedral da Sé para estrear o colódio-bike (foto de Simone Wicca)
(foto de Simone Wicca)
(foto de Simone Wicca)
Fixando! (foto de Simone Wicca)
Fixando! (foto de Simone Wicca)
A imagem já fixada! (foto de Simone Wicca)
A imagem já fixada! (foto de Simone Wicca)
Tã-dãã! (foto de Simone Wicca)
Tã-dãã! (foto de Simone Wicca)

Minhocão e Praça Roosevelt

Minhocão de domingo é ótimo pra fotografar e andar de bicicleta!
Minhocão de domingo é ótimo pra fotografar e andar de bicicleta!
A camera "meia-placa" e o lab preparado pra uso.
A camera “meia-placa” e o lab preparado pra uso.
Um grupo de alunos de fotografia que estava passando se interessa pelo processo.
Um grupo de alunos de fotografia que estava passando se interessa pelo processo.
A imagem sendo fixada.
A imagem sendo fixada.
A imagem final da Praça Roosevelt.
A imagem final da Praça Roosevelt.

Rua 15 de Novembro e Palácio das Indústrias

Preparando o lab com Lúcio Libanori (foto de Waldir Salvadore)
Preparando o lab com Lúcio Libanori (foto de Waldir Salvadore)
Na caixa de trás vai tudo que é frágil (foto de Waldir Salvadore)
Na caixa de trás vai tudo que é frágil (foto de Waldir Salvadore)
(foto de Waldir Salvadore)
(foto de Waldir Salvadore)
Um ambrótipo na caixa de transporte. (foto de Waldir Salvadore)
Um ambrótipo na caixa de transporte. (foto de Waldir Salvadore)
No fixador.
No fixador.
A bicicleta no viaduto que circunda o Palácio das Indústrias. (foto de Waldir Salvadore)
A bicicleta no viaduto que circunda o Palácio das Indústrias. (foto de Waldir Salvadore)
Fotos prontas na hora!
Fotos prontas na hora!
Palácio das Indústrias.
Palácio das Indústrias.
(foto de Waldir Salvadore)
(foto de Waldir Salvadore)
Nada como fotografar ao ar livre. Nem é tanta tralha.
Nada como fotografar ao ar livre. Nem é tanta tralha.
Grandes assistentes Waldir Salvadore e Lúcio Libanori.
Grandes assistentes Waldir Salvadore e Lúcio Libanori.

Palácio das Indústrias

(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
Dosando o Revelador. (foto de Lígia Minami)
Dosando o Revelador. (foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
(foto de Lígia Minami)
Indo… (foto de Lígia Minami)
Indo… (foto de Lígia Minami)
Eu e o Fernando Fortes retornando com o laboratório móvel para nossa base na Casa Ranzini. (foto de Lígia Minami)
Eu e o Fernando Fortes retornando com o laboratório móvel para nossa base na Casa Ranzini. (foto de Lígia Minami)

Ambrótipos na Virada Cultural 2014 do Sesc Belenzinho

Painel feito de ambrótipos "meia placa"
Painel feito de ambrótipos “meia placa”

Com muita alegria participamos de nossa primeira Virada Cultural! Foi no Sesc Belenzinho, na praça numa tarde de domingo, Anna Silveira, Fernando Fortes e eu. A proposta foi fazer ao vivo uma obra que consiste em 16 retratos em ambrótipo, que mostre um pouco os frequentadores do evento. Como vê na foto acima, fizemos 12. Mas já explico!

A preparação para uma atividade dessa é bem trabalhosa, arrumar os químicos, cortar e limpar vidros, checar uma infinidade de equipamentos e frascos e coisas! A ansiedade foi também por conta do ritmo que nos comprometemos a produzir as fotos. Quatro retratos por hora, ou seja, um a cada 15 minutos. Parece muito pouco para os padrões atuais, mas para placa úmida, é bem apertado.

A sequência toda era sentar a pessoa na cadeira de pose e arrumar o enquadramento. Depois, pegar uma placa limpa de vidro e aplicar o colódio. A placa vai para os 3 minutos dentro do banho de prata e depois é colocada no chassi da câmera. Aí conferimos a pose do retratado e o foco. A objetiva é tampada, o vidro despolido aberto e o chassi encaixado. A exposição foi de 5 segundos para todas as fotos. O chassi era levado imediatamente para a caixa de revelação (montada na bicicleta!), revelada por 15 segundos e enxaguada por alguns segundos em agua limpa. Nesse ponto a placa pode ser exposta a luz e era colocada no tanque de fixador.

Isso tudo levava um quase 15 minutos e eu já limpava a caixa de revelação para a próxima foto. A Anna Silveira já estava arrumando o próximo retratado. A partir do tanque de fixação, era o Fernando Fortes que tocava o processso. Algumas lavagens de agua limpa e a secagem acelerada com um secador de cabelos. A foto seca foi protegida com mais um vidro no lado que fica a prata. A imagem era colocada na estante junto com as demais prontas do painel.

Maravilhoso como tivemos muitos voluntários para os retratos e como havia gente interessada no assunto. Pessoas mais velhas, estudantes jovens e crianças. Muitos amigos foram lá prestigiar também, o que foi ótimo e só contribuiu para o clima bom.

A única pena foi que faltando uma hora para o final de nossa apresentação, o tempo virou e uma tempestade se armou. Perdemos quatro pontos de luz em menos de 10 minutos e ficou impraticável fotografar em nosso estúdio de luz natural. De repente, uma tempestade de granizo e vento nos forçou a abandonar a tenda! Agarramos as câmeras e alguns ambrótipos e saímos correndo para a parte coberta. Muita coisa ficou para trás na chuva.

O saldo final foi muito equipamento molhado, que conseguimos secar nos dias seguintes, e nossas fotos feitas no dia danificadas. A agua entrou por entre os vidros e danificou um pouco a camada desprotegida do colódio (por questão de tempo, as imagens não estavam sendo envernizadas no dia). Perdemos totalmente um retrato e outros tiveram danos menores. Mas todos tinham agua dentro!

Nossa estratégia foi o Fernando digitalizar as imagens antes de tentarmos mexer nelas. Agora, estamos tentando seca-las lentamente num desumidificador para papéis. Veremos.

De qualquer forma, foi um experiência ótima e esperamos poder repeti-la em breve! Obrigado a Christine, do SESC Belenzinho, pelo convite.

Abraços,

Roger H. Sassaki

Retratos

Aqui estão os retratos feitos, com a adição do “primeiro teste” com a Anna Silveira, porque ficou bem bom! São todos ambrótipos “meia placa”, 12×16,5cm. Os retratos foram feitos com luz natural com lente 210mm em f/4.5 por 5 segundos.
É possivel ver a marca da água presa entre os vidros em algumas imagens.

Fotos do dia

Fotos por Anna Silveira

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