Fotografia em Placa Seca de Gelatina

Data 22 a 25 de fevereiro de 2018
Horário das 9h às 17 (1 hora de almoço)
Local Casa Ranzini
R. Santa Luzia, 31. São Paulo-SP
Custo R$1.200,00 (Material incluso)
Vagas: 4 alunos

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Negativos de Placa seca de Gelatina

Aprenda a fazer seu próprio negativo fotográfico em placa de vidro.

Nesta oficina de quatro dias inteiros você vai aprender a fazer uma emulsão fotográfica simples de gelatina e prata, próximo do que era usado no final do século 19. Nós iremos preparar as placas de vidro e emulsão do zero, fotografar em câmeras 4×5″ de grande formato e revelar.

A técnica da Placa Seca de gelatina surge em 1871, introduzida por Dr. Richard Leach Maddox. Por volta de 1880 a técnica já era a mais utilizada por profissionais e amadores, desbancando a Placa Úmida de Colódio, tornando-se a base para os avanços da tecnologia analógica até os dias de hoje.

Docente: Roger H. Sassaki

Audiência

Esta oficina de quatro dias é de interesse para fotógrafos amadores e profissionais, autorais ou comerciais, educadores, historiadores e quaisquer pessoas interessadas em processos fotográficos históricos que queiram entender e experimentar este processo histórico e produzir fotografias com características próprias das imagens do século 19, mas podendo reinventar a linguagem em uma abordagem moderna. Mesmo fotógrafos experientes encontrão na disciplina necessária, uma reexperimentação da visualização de temas como retratos e paisagens.

Não é necessário experiência.

Custo e Inscrição

A reserva da vaga é feita pelo pagamento do valor da inscrição. Entre em contato para saber das formas de pagamento.
Inscrição e material: R$ 1.200,00

Cancelamento

Desistência da oficina com 15 dias de antecedência terá reembolso do valor da inscrição menos uma taxa de R$200,00. Não haverá reembolsos para desistências a menos de 15 dias do início da oficina. Em caso de cancelamento da oficina por parte da organização, haverá apenas o reembolso integral do valor pago. A organização poderá fazer e usar fotos e vídeos dos participantes para uso educacional e promocional.

Formulário de Inscrição

Condições: O pagamento deverá ser feito com antecedência por depósito bancário. As informações serão enviadas para o email fornecido por você no formulário abaixo. O preenchimento do formulário abaixo NÃO garante a participação na oficina. A sua reserva será confirmada por email posteriormente.

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Sacos opacos para Placa Seca

O projeto aqui é para fazer sacos opacos à luz para guardar placas secas de gelatina que ainda estão fotossensíveis. Ou seja, que estão virgens ou expostas mas ainda não reveladas. As medidas são para guarda de até 10 placas do tamanho 4×5″ (12,2×13,7cm). Talvez até caibam mais placas, mas pode ficar difícil de manuseá-las no seu interior.

Materiais:

– Nylon Emborrachado preto 34x80cm
– Cola Vinil Fortik 75g (bisnaga)
– Régua, esquadro, tesoura, estilete, lápis 6B e superfície para corte.
Opcionais:
– Nylon Emborrachado vermelho 14x9cm e 14x12cm
– Caixa container San Remo ref.940

O nylon emborrachado preto é geralmente usado para fazer “capa de chuva”. Ele não é totalmente opaco à luz com uma camada só Vamos então usá-lo com uma camada dupla. O vermelho é apenas para fazer a etiqueta de identificação e é opcional. Em São Paulo, eu encontro o nylon na Magma Textil: Av. Rangel pestana, 1249. Brás.

Utilizo a Cola Vinil pois sou péssimo para costurar. A cola permite que eu trabalhe como se estivesse apenas colando papel. Tem a vantagem de não fazer furos de agulha. Ela é como uma cola de contato, mas eu utilizo passando e já juntando as partes direto, sem esperar a pré-secagem. Tem só que segurar as partes juntas e sobre pressão até fixar, o que é rápido. Eu utilizo uma dobradeira (tipo uma espátula) plástica de mão para espalhar a cola após juntas as partes. A cola tem um cheiro forte, use-a em local ventilado e evite respirá-la. Apesar de ela firmar apenas com alguns minutos, a firmeza total leva 24h. Eu encontro essa cola na loja Takara (mas o preço é bom!): Av. Rangel Pestana, 1743 – Brás.

Procedimento

1. Meça o tamanho 34x80cm no lado emborrachado do nylon com o lápis e corte. Dobre o nylon com o lado emborrachado para dentro de forma que fique um retângulo de 34x40cm

2. Com a dobra à direita, marque duas linhas paralelas à base com distâncias de 1cm e 2cm em relação a esta. Marque tbm uma linha à 1cm da dobra na faixa de baixo. Corte fora com o estilete ou tesoura esse pedaço de nylon à 1cm da base e da dobra.

3. Passe um pouco de cola entre as duas camadas ao longo da marca dos 2cm (da borda). Junte as duas camadas e passe a dobradeira (ou os dedos) por cima do nylon para espalhar e pressionar bem as duas parte. Aguarde 1 minuto (ou o suficiente pra colagem não soltar) e dobre o nylon em sua direção de modo que a margem superior fique alinhada a linha dos 2cm da base.

4. Na extremidade esquerda, risque com o lápis duas linhas paralelas à margem com 1cm e 4cm de distância em relação a esta. Corte o nylon ao longo da linha de 1cm deixando apenas a camada de baixo. Ou seja, corte as 3 camadas de cima e deixa a 4ª camada intacta.

5. De volta a extremidade de baixo, passe cola ao longo do nylon na região entre a marca de 2cm e a borda. Tente passar cola uniformemente sem exagerar para não vazar pelos lados ao dobrar. Agora, dobre toda essa “aba” de 2cm para cima, sobre o nylon que foi dobrado pra baixo no passo 3. A dobra é exatamente ao longo da marca dos 2cm. Aperte bem sobre a dobra para fixar bem as partes. Você deve ter agora um “tubo” de 40x16cm.

6. Gire a extremidade esquerda para baixo e veja que bem no canto direito, o finalzinho da dobra do passo anterior ficou sobre o espaço de 1cm. Retire esse excesso de nylon (2x1cm) com uma tesoura para deixar novamente a faixa de 1cm apenas com a camada de baixo.

7. Aplique cola ao longo de toda região entre a marca de 4cm e a borda do nylon. Dobre a borda inferior do nylon para cima, de forma que a borda alinhe com a marca de 4cm. Antes de fazer a colagem, é bom tirar o máximo de ar que estiver por dentro das camadas.

8. Você deve ter agora um saco de 16x38cm. Você pode arrumar alguma falha da colagem com um palito de dente para enfiar cola nas falhas. Também, se ficou muito ar preso entre as camadas, vai ficar dificil enrolar o saco depois. Você pode fazer uma pequena saida de ar fazendo um pequeno furo na entrada do saco, próximo a borda.

Procedimento para fazer as etiquetas

As etiquetas são opcionais e podem ser feitas de outro jeito de preferir. Eu preferi fazer em nylon vermelho pois chama a atenção para o escrito, dá contraste com escrito sob luz vermelha e dá pra usar a mesma cola (fora que eu tenho um monte de nylon vermelho sobrando). Também pensando que eventualmente a recarga do chassi pode ser feito às escuras, ou apenas com as mãos dentro de um saco preto, eu achei que tem que ter alguma diferenciação tátil. Assim, fiz versões com uma e duas pregas para diferenciar o saco das placas virgens e o das placas já expostas.

A visualização é mais confusa pq é dificil ver a marca de lápis sobre o vermelho. Assim, vou incluir um desenho esquemático em papel.

Para etiqueta de um vinco:
1. Corte um pedaço de nylon vermelho de 14x9cm. No lado emborrachado, trace com o lápis as linhas indicadas na foto. Utilize o desenho para entender melhor as medidas (trace linhas contínuas, não precisa ficar fazendo pontilhado). A letra “h” indica uma linha horizontal e “v” vertical. Os números são as medidas correspondentes em centímetros.

2. Com o lado emborrachado para cima, comece dobrando para dentro, a borda v0 alinhando à marca v2. Coloque um pouco de cola dentro da dobra para fixá-la. Faça o mesmo dobrando o lado v9 para dentro e alinhando à marca v7, cole.
Coloque um pouco de cola na região entre v4 e v6 e junte estas duas linhas dobrando sobre a marca v5 (no verso, a linha v5 irá encostar na v7).

Nesta foto o nylon está girado 180˚ em relação ao desenho, ou seja invertido direita-esquerda.

3. Ainda com o lado emborrachado para cima, alinhe a borda h0 na marca h2 e cole. Faça o mesmo alinhando a borda h14 à marca h12, cole. Pressione bem todas as colagens até a cola firmar. A etiqueta está pronta e deve ser vista pelo lado brilhante, não emborrachado.

Para etiqueta de dois vincos:
As marcações são mais numerosas mas seguem a mesma lógica, com um vinco a mais.

1. Corte um pedaço de nylon vermelho de 14x12cm. No lado emborrachado, trace com o lápis as linhas indicadas na foto. Utilize o desenho para entender melhor as medidas. A letra “h” indica uma linha horizontal e “v” vertical. Os números são as medidas correspondentes em centímetros.

2. Com o lado emborrachado para cima, comece dobrando para dentro, a borda v0 alinhando à marca v2. Coloque um pouco de cola dentro da dobra para fixá-la. Faça o mesmo dobrando o lado v12 para dentro e alinhando à marca v10, cole.

3. Coloque um pouco de cola na região entre v4 e v6 e junte estas duas linhas dobrando sobre a marca v5 (no verso, a linha v5 irá encostar na v7).

4. Coloque um pouco de cola na região entre v7 e v9 e junte estas duas linhas dobrando sobre a marca v8 (no verso, a linha v8 irá encostar na v10).

5. Ainda com o lado emborrachado para cima, alinhe a borda h0 na marca h2 e cole. Faça o mesmo alinhando a borda h14 à marca h12, cole. Pressione bem todas as colagens até a cola firmar. A etiqueta está pronta e deve ser vista pelo lado brilhante, não emborrachado.

Finalizando as etiquetas

Você agora pode escolher qual vai usar para as placas expostas e não-expostas. Com uma caneta preta de ponta grossa, escreva sobre a parte larga. Espalhe cola no lado emborrachado (até as bordas) e cole sobre o saco preto. Eu preferi colar no lado “limpo” do saco, sem as sobreposições das colagens. Centralizei e deixei a 3cm da boca do saco.

Utilizando os sacos opacos

Empilhe suas placas de vidro interfolhando-as, deixe as emulsões todas para cima. Qualquer papel de boa qualidade, fino e sem textura funciona. Eu corto pedaços de 21x13cm, dobro-os ao meio e guardo individualmente cada placa. É um ótimo lugar para fazer anotações sobre as capturas ou numerar cada placa.

Arranje um papel cartão grosso (uma sobra de passe-partout) do tamanho das placas (aprox. 10,5x13cm) e coloque sobre a placa superior. Deixe sempre esse cartão sobre a pilha de placas para proteger a emulsão. Enfie toda a pilha de placas e cartão dentro do saco (com o lado da etiqueta para cima) e enrole a sobra do saco para vedar à luz.

Eu descobri que tem uma caixa plástica da San Remo, dessas de guardar tranqueira, que encaixa perfeitamente os dois sacos com placas. O número de referência do produto do fabricante é 940.

Tentando fazer Placa Seca de gelatina. 

Estátua Viva, Rua Barão de Itapetininga, SP. Impressão em papel Ilford RC a partir de negativo de vidro de Placa Seca. 17/06/2017.

Já faz algum tempo que tenho me enveredado na pesquisa do processo de Placa Seca De Gelatina, uma técnica de 1871 que veio a desbancar a hegemonia do colódio e possibilitar a era industrial da fotografia. 

Tenho seguido por hora a receita de Mark Osterman, publicada no livro de Christopher James. É um procedimento até simples depois que pega o jeito. Fiz duas “levas” já e acabei de fazer uma terceira ainda não testada. A primeira leva não deu muito certo, o que era esperado. Acho que não lavei direito a gelatina e acabei com cristalização de nitratos e outros sais. 

A segunda leva saiu ótima, e é a que gerou as duas imagens deste post. O negativo é limpo porém de baixíssima sensibilidade. Ficou até bem próxima do colódio, algo em torno de ISO 1. 

Já fiz teste de revelação com Parodinal e funcionou. Estas duas imagens aqui foi com Ilford Bromophen. Adicionei um banho inicial de água destilada com um 0,5% de alúmen de cromo para evitar descascaremos da gelatina no processo. Funcionou.

Estas duas imagens foram feitas em formato 4×5″ em uma Linhof Technika. Depois de reveladas por cerca de 15 minutos cada, foram fixadas e secas. Fiz ampliações em papel fotográfico Ilford RC Multigrade vencido (o que deu algumas manchas escuras na cópia) 18x24cm. Apesar de os negativos terem as altas luzes bem densas, as baixas luzes ficaram quase sub-expostas (erro de exposição) e precisei usar um contraste 5 e um tanto de manipulação durante a cópia. De qualquer forma, o resultado está muito bom para este estágio da pesquisa.

Praça da República, SP. Impressão em papel Ilford RC a partir de negativo de vidro de Placa Seca. 17/06/2017.

Nesta próxima “leva” tentei aumentar um pouco a sensibilidade da emulsão . Vamos ver!