Fixador de Tiossulfato de sódio – porcentagens e conversões

O fixador fotográfico de Tiossulfato de Sódio (Hypo) é frequentemente usado em processo fotográficos a base de prata devido a seu baixo custo e simplicidade. Como também é o fixador mais antigo na fotografia, ele é muito referenciado em livros de receitas fotográficas. Porém existe uma coisa para ficarmos atentos.

Existem duas formas de Tiossulfato de Sódio, o anidro e o penta-hidratado. Quando um reagente leva o termo “anidro” ao final do nome, ele não contém moléculas de água. No caso do Tiossulfato de sódio, significa que sua molécula tem apenas Na2S2O3. Ou seja, 100% do peso é de tiossulfato de sódio.

A forma penta-hidratado é a molécula de tiossulfato de sódio mais cinco moléculas de água – Na2S2O3.5H2O. Ou seja, apenas uma parte do peso da molécula é realmente o tiossulfato de sódio, a outra é água. O penta-hidratado tem forma de cristais geométricos, e é o que eu sempre encontrei. O Anidro eu nunca vi e parece que é em forma de pó. Vale sempre olhar o rótulo do reagente onde deve ter a molécula descrita.

Assim, se uma receita de fixador pede uma medida de peso de tiossulfato anidro e você só tem o penta-hidratado é necessário aumentar a medida para se compensar o peso das moléculas de água, senão a porcentagem final ficará mais fraca.

Comparando o peso molecular das duas formas (Anidro: 158g/mol; Penta-hidratado:248g/mol), é possível concluir que se desejar usar penta-hidratado no lugar de anidro, é necessário multiplicar o peso pedido por 1,57. Ou seja, se na receita pede 100g de tiossulfato de sódio anidro, é possivel usar 157g da forma penta-hidratada no lugar e manter a concentração pretendida.

A dificuldade é saber a qual forma a receita se refere pois raramente vem descrito qual usar. Talvez seja melhor presumir que sempre é anidro pois no pior caso, você terá feito uma solução mais concentrada que o necessário ao invés de mais fraca, o que poderia trazer problemas de véu posteriormente.

Por exemplo, no livro The Book of Alternative Photographic Processes de Christopher James, ele lista o Tiossulfato de Sódio com CAS (numero de catálogo internacional) 7772-98-7 que se refere a forma anidra. A forma penta-hidratada tem o CAS# 10102-17-7. Esses números CAS são muito úteis para essa distinção.

Segue uma boa receita de Fixador Simples, proposto pelo Ansel Adams e comentado por Lloyd Erlick em seu blog.

Fixador Simples

(água destilada é recomendada)

Água a 26ºC 750ml
Tiossulfato de sódio anidro 125 gramas
(para penta-hidratado use 250g e água a 50ºC)
Sulfito de sódio
(Use mais sulfito se pretender armazenar por mais tempo, mas 2 meses é o máximo)
30 a 60 gramas
Água fria para completar 1000ml
USO: Não diluir. De preferência usar em temperatura próxima a 20ºC.
CAPACIDADE: 25 cópias 20x25cm, ou área equivalente, por litro. Para filme, 25 rolos 35 mm (36 poses) ou 25 rolos de formato 120, ou área equivalente, por litro. (Alguns filmes gastam o fixador mais rapidamente. Os filmes tabulares Kodak, como T-Max 100 e 400, são bons exemplos. Esses filmes precisam de fixação por 10 minutos e o fixador rende metade da estimativa acima.)

Abraços,

Roger Sassaki

Experimentando Papel de Colódio Cloreto – Aristotype

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Finalmente arranjei um tempo pra tentar fazer cópias positivas no processo “Collodion Chloride”, que vou tratar como Colódio Cloreto por falta de conhecimento de um termo em português oficial. Se alguém souber como estes são chamados por estas terras, me diga!

Veja a explicação de Mark Osterman:

O processo de cópia por exposição de colódio cloreto foi introduzido por Gaudin em 1861 mas nunca teve sucesso comercial ou aceitação geral até os anos de 1880 quando os papéis prontos revestidos de argila foram adotados pela fotografia. Em 1884 Liesegang introduziu uma emulsão de colódio cloreto para papel que chamou de Aristotype. Era relacionado ao processo de placa úmida de colódio, usado para fazer negativos, ambrótipos e ferrótipos, mas conta com a tecnologia de emulsão.

(Collodio-Chloride Printing Out Paper Also known as Collodion Aristotype Paper. Tradução livre.)

Neste texto de Osterman ele também descreve os materiais e passos para a produção dos papéis sensibilizados. Clique no link e baixe o pdf. Resolvi começar a investigar este processo que é tido como o mais durável dos papéis fotográficos baseados em haleto de prata. Segundo ele, é facil identificá-lo em acervos históricos pois são geralmente encontrados em excelente condição.

O único material que eu ainda não dispunha para o processo era o Cloreto de Estrôncio, encontrado em lojas do ramo químico mas aparentemente também usado em aquários marinhos ornamentais.

Grãos de Cloreto de Estrôncio.
Grãos de Cloreto de Estrôncio.

Devo admitir que errei alguns cálculos na hora de adequar a fórmula ao meu colódio o que resultou em uma solução final meio empelotada. Mas adionei mais éter e melhorou bem. Ou seja, só na próxima leva que vou ver como a coisa é mesmo. De qualquer forma, deu resultados interessantes.

Utilizei como papel base para esta primeira sessão o Arches Platine (não é o para impressão jato de tinta) e o Canson Infinity Baryta. Os papéis baritados eram os tradicionalmente usados na época barrar o líquido sem deixá-lo atravessar a base. Eu já venho tentando usar papéis de impressão jato de tinta para alguns processos como papel salgado e cianótipo mas nunca tive resultados muito bons. Gostei quando o Quinn Jacobson disse que vinha utilizando o Baryta com sucesso. Aliás, aqui tem um vídeo bom dele dando dicas e fazendo o processo:

Já o Arches Platine é a versão original do papel para processos fotográficos químicos. Ele tem uma versão moderna para impressão jato de tinta chamado Canson Infinity Platine, não é o que usei agora. O Arches foi feito para o processo de paládio-platina e é conhecido por sua base de algodão e a não adição de reserva alcalina. A cópia ficou muito legal o colódio não atravessou a base, porém deu pra ver uma boa “sombra” no verso. A superfície ficou com uma textura bonita das fibras com um aspecto brilhante. O único porém, que pode ser falta de prática, é que a camada de colódio soltou um pouco nas bordas e algumas bolhas de agua se formaram entre a base e a emulsão.

Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.

Para quem quiser ler mais um pouco sobre o processo, encontrei mais um PDF sobre o assunto, mais voltado a história, conservação e identificação.

Collodion on Paper. Dusan C. Stulik e Art Kaplan

Os próximos passos serão a prática da aplicação da emulsão sobre o papel e o uso de negativos de vidro de colódio no processo. Aliás, preciso fazer negativos de vidro! Vou correr lá….

Abraços,

Roger Sassaki