Fixador de Tiossulfato de sódio – porcentagens e conversões

O fixador fotográfico de Tiossulfato de Sódio (Hypo) é frequentemente usado em processo fotográficos a base de prata devido a seu baixo custo e simplicidade. Como também é o fixador mais antigo na fotografia, ele é muito referenciado em livros de receitas fotográficas. Porém existe uma coisa para ficarmos atentos.

Existem duas formas de Tiossulfato de Sódio, o anidro e o penta-hidratado. Quando um reagente leva o termo “anidro” ao final do nome, ele não contém moléculas de água. No caso do Tiossulfato de sódio, significa que sua molécula tem apenas Na2S2O3. Ou seja, 100% do peso é de tiossulfato de sódio.

A forma penta-hidratado é a molécula de tiossulfato de sódio mais cinco moléculas de água – Na2S2O3.5H2O. Ou seja, apenas uma parte do peso da molécula é realmente o tiossulfato de sódio, a outra é água. O penta-hidratado tem forma de cristais geométricos, e é o que eu sempre encontrei. O Anidro eu nunca vi e parece que é em forma de pó. Vale sempre olhar o rótulo do reagente onde deve ter a molécula descrita.

Assim, se uma receita de fixador pede uma medida de peso de tiossulfato anidro e você só tem o penta-hidratado é necessário aumentar a medida para se compensar o peso das moléculas de água, senão a porcentagem final ficará mais fraca.

Comparando o peso molecular das duas formas (Anidro: 158g/mol; Penta-hidratado:248g/mol), é possível concluir que se desejar usar penta-hidratado no lugar de anidro, é necessário multiplicar o peso pedido por 1,57. Ou seja, se na receita pede 100g de tiossulfato de sódio anidro, é possivel usar 157g da forma penta-hidratada no lugar e manter a concentração pretendida.

A dificuldade é saber a qual forma a receita se refere pois raramente vem descrito qual usar. Talvez seja melhor presumir que sempre é anidro pois no pior caso, você terá feito uma solução mais concentrada que o necessário ao invés de mais fraca, o que poderia trazer problemas de véu posteriormente.

Por exemplo, no livro The Book of Alternative Photographic Processes de Christopher James, ele lista o Tiossulfato de Sódio com CAS (numero de catálogo internacional) 7772-98-7 que se refere a forma anidra. A forma penta-hidratada tem o CAS# 10102-17-7. Esses números CAS são muito úteis para essa distinção.

Segue uma boa receita de Fixador Simples, proposto pelo Ansel Adams e comentado por Lloyd Erlick em seu blog.

Fixador Simples

(água destilada é recomendada)

Água a 26ºC 750ml
Tiossulfato de sódio anidro 125 gramas
(para penta-hidratado use 250g e água a 50ºC)
Sulfito de sódio
(Use mais sulfito se pretender armazenar por mais tempo, mas 2 meses é o máximo)
30 a 60 gramas
Água fria para completar 1000ml
USO: Não diluir. De preferência usar em temperatura próxima a 20ºC.
CAPACIDADE: 25 cópias 20x25cm, ou área equivalente, por litro. Para filme, 25 rolos 35 mm (36 poses) ou 25 rolos de formato 120, ou área equivalente, por litro. (Alguns filmes gastam o fixador mais rapidamente. Os filmes tabulares Kodak, como T-Max 100 e 400, são bons exemplos. Esses filmes precisam de fixação por 10 minutos e o fixador rende metade da estimativa acima.)

Abraços,

Roger Sassaki

Projeto Arte Fazenda, janeiro de 2015

Existem aqueles problemas que você torce pra tê-los. Montar dois cursos sequenciais para o Projeto Arte Fazenda foi bem o caso. Fui convidado pela fotógrafa e educadora Mônica Machado para participar dos primeiros passos do novo local para residências artísticas em Minas Gerais. A antiga fazenda está transformando sua estrutura para abrigar artistas dispostos a passar períodos hospedados no local, se concentrando em sua produção autoral.

Uma das áreas de descanso da linda fazenda
Uma das áreas de descanso da linda fazenda

Nada melhor do que começar também pelos primeiros passos da fotografia. O plano foi dar duas oficinas de processos de captura fotográfica do século 19: negativo de papel – calótipo – e positivos de vidro em placa úmida de colódio, os ambrótipos. São duas técnicas que foram muito importantes para os primeiros 40 anos da arte fotográfica.

Antes dos cursos começarem, o local recebem uma boa reforma e arrumação da Mônica e do Bruno Claro, que também deu assistência valiosa aos cursos.

O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.

O primeiro curso foi de 4 dias sobre os calótipos. No caso, a variante seca desenvolvida pelo francês Arsène Pélegry em 1879. Os alunos passaram por todos os passos necessários para produzir um estoque de várias folhas de papel sensibilizado. O calótipo seco tem o funcionamento semelhante ao filme fotográfico, ele pode ser guardado e usado e processado quando convir. Apenas os tempos de exposição e revelação são beeeeem mais longos.

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Eu vou ter que mostrar as imagens produzidas mais detalhadamente em algum outro post. Vou deixar algumas aqui do pessoal usando as cameras pela fazenda e alguns dos resultados.

Passe pelo slideshow:

O segundo curso eu chamei de “Explorações Visuais em Ambrotipia”. Foram três dias de muita fotografia em placa úmida de colódio. A idéia foi fornecer a estrutura e químicos necessários para os participantes ficarem mais livres para fotografar com a técnica sem se preocupar muito com formulações. Assim, eles puderam experimentar a rotina de se fotografar em ambrótipos e explorarem suas idéias visuais.

O primeiro ambrótipo da fazenda!
O primeiro ambrótipo da fazenda!

Durante a oficina, eles passaram pelos passos de corte de vidro e limpeza, aplicação do colódio, sensibilização da placa em banho de prata, revelação, fixação, envernizamento e guarda. Muita coisa!

Passe pelo slideshow:

Os alunos fizeram muita e muita foto. Não dá pra colocar tudo nesse post. Vou colocar apenas algumas imagens de cada um.

Passe pelo slideshow:

Obrigado e parabéns aos alunos dos dois cursos. Foi um prazer montar e tocar essas aulas nessa fazenda super gostosa! Obrigado a Mônica Machado pelo convite!

Acompanhe o Projeto Arte Fazenda no Facebook.

Grande abraço e até a próxima!

Roger Sassaki

A turma do curso de ambrótipos!
A turma do curso de ambrótipos!

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A primeira turma de fotografia em calótipo seco!

Calótipo seco a direita e cópia positiva em cianótipo da aluna Flávia Bustamante.
Calótipo seco a direita e cópia positiva em cianótipo da aluna Flávia Bustamante.

Nos dias 20 a 23 de novembro de 2014, consegui ministrar a minha primeira turma de fotografia em calótipo seco no método Pélegry! É capaz até de ser a primeira turma no Brasil desse método de 1879.

Algumas pessoas que acompanham minhas pesquisas sabem que venho investigando calótipos há algum tempo. Este método em especial é muito interessante. São negativos de papel de longa duração. Podem ser armazenados prontos para uso e tem uma validade de vários meses. É uma técnica ótima para viajar por onde for com uma câmera de grande formato. É prático também para quem não tem muito tempo pra usar a técnica do calótipo úmido, que exige que a sensibilização, exposição e revelação sejam feitos no espaço de uma ou duas horas.

Esta primeira turma foi um grande desafio para mim. Eu me obriguei a sistematizar e redigir minhas anotações de pesquisa em forma de um manual em português, dado para os alunos. Também me forçou a praticar mais e a resolver a logística de ter vários alunos produzindo ao mesmo tempo.

Fico surpreso e contente que existam pessoas que se interessem por esta forma de fotografia a ponto de dedicarem 4 dias inteiros e seguidos no curso, durante um feriado ainda! Mais contente ainda que todas conseguiram fazer belas imagens e dominar este super complicado procedimento.

No primeiro dia, nos concentramos em produzir um lote de 30 folhas A4 sensibilizadas e secas, prontas para guarda e uso. Eu nem sei se precisava fazer tantas, mas achei importante fazer uma boa sobra para os alunos levarem folhas prontas para casa e continuarem a prática. E foi isso mesmo, cada um levou vários “pélegrys” prontos pra uso para si.

Folhas de papel no processo de se tornarem fotossensíveis.
Folhas de papel no processo de se tornarem fotossensíveis.

O segundo e terceiro dia foram inteiros dedicados para fotografar e revelar. Fizemos primeiro imagens dentro da Casa Ranzini e depois uma saída pelo centro de SP. Essa foi bem divertida e cansativa. Colocamos todo o equipamento e tripés em cima da minha bicicleta cargueira e partimos para o Viaduto do Chá, passando pela Praça da Sé. Os alunos puderam manusear cameras 4×5″ e a 10×12″, fazendo negativos até o tamanho de 21x30cm!

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No quarto e último dia, os negativos feitos e já processados, lavados e secos, foram encerados com cera de abelha para aumentar a transparência da base de papel. Haviam duas opções para se fazer as cópias positivas, ou em cianótipo ou em papel fotográfico PB.

Obrigado aos alunos por toparem essa atividade e confiarem em mim para dar a aula Sei que os alunos fazem uma aposta corajosa ao entrar nesses cursos “alienígenas”. Obrigado a assistência da Anna Silveira e do Fernando Fortes.

Espero muito poder abrir mais uma turma de calótipo seco no futuro. Foi bem divertido!

Abraços,

Roger Sassaki

Algumas fotos durante o curso

Papéis para Calótipos

Minha pesquisa com negativos de papéis envolve descobrir quais papéis dão bons resultados no processo. Apesar de ter algumas indicações de papéis importados, decidi dar preferência para os que podem ser encontrados facilmente no Brasil.

Eu devo atualizar este post cada vez que minhas pesquisas avançarem neste sentido. Seguem os papéis que tenho usado com sucesso.

Canson Marquer 70gsm
Papel de base branca com excelente resultado. Dilata pouco e é razoavelmente resistente quando úmido. No processo úmido, revelações de mais de 20 minutos podem enegrecê-lo.
Necessita acidificação.

Canson Croquis 41gsm
Papel “manteiga” com excelente resultado no processo de calótipo seco. No processo úmido, é melhor iodizar por mais tempo, cerca de 10 minutos. Talvez seja bom sensibilizar por mais do que 3 minutos também. Super resistente quando úmido e pouco ou nenhuma dilatação. Super transparente quando encerado mas apresenta textura de fibras na cópia positiva.

Canson Vegetal 92,5gsm
Papel com excelente resultado porém manipulação difícil. Frágil quando úmido e com grande dilatação, que causa deformação da imagem no processo do calótipo úmido. Super transparente quando encerado, lembra um filme de base plástica tradicional.

O calótipo seco de Arsene Pélegry

Auto-retrato em calótipo seco, 2014

Nova técnica antiga!

Esta foto é a minha primeira tentativa, com sucesso felizmente, de utilizar uma técnica de 1879: Calótipo seco de Arsene Pélegry.

Naquele ano, Pélegry publicou um guia prático chamado “A fotografia dos pintores, dos viajantes e dos turistas”. Ele explica passo a passo como fazer negativos secos de papel. Esta foi a última grande revisão, que tenho conhecimento, do processo de Fox Talbot de 1841. Porém, o calótipo de Talbot tinha que ser usado ainda úmido dos químicos para funcionar.

Negativos secos e encerados já haviam sido desenvolvidos, principalmente por LeGray. Porém a técnica de Pélegry é mais fácil de executar e não envolve encerar os papeis previamente. Outra grande vantagem, é seu longo tempo de guarda, pode ser exposto até mais de seis meses depois de ser sensibilizado e pode ter sua revelação adiada por algum tempo.

Essas características possibilitavam aos fotógrafos viajarem de forma leve, só com as folhas sensibilizadas, sem precisar arrastar os materiais pesados que a placa úmida de colódio exigia.

Ou seja, agora é andar por aí fotografando em meu próprio “filme” fotográfico de papel!

Auto-retrato
Calótipo seco, método Pélegry
Papel Canson Marquer 25x28cm
EV(100)15
f/11; 90 segundos
Revelação: 1 hora em ácido gálico, cítrico e nitrato de prata

Nossa nova câmera de campo 4.75×6.5″

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Recentemente, recebemos algumas doações de equipamentos fotográficos do amigo fotógrafo Jonas Chun. Entre todas as preciosidades que ainda preciso colocar para funcionar, tinha essa linda câmera de madeira dobrável, um pouco suja de pó mas em ótimas condições. Fiquei animado imediatamente pois é uma câmera super portátil e estava completa e com três chassis duplos para placa de vidro. Bem em hora, pois estamos nos preparando para fazer fotografias em calótipos e em placa úmida em viagem.

Aproveitei para pesquisar um pouco sobre suas características e descobri que o tamanho do negativo de 4,75×6,5 polegadas (aprox. 12×16,5cm) é conhecido como “half-plate” ou “cabinet”. Era um formato comum para retratos pois gera uma imagem positiva por contato de um tamanho bom para um porta-retrato. Creio que originalmente, ela foi concebida para se utilizar placas secas de vidro, e não as placas úmidas de colódio que eu tenho o interesse de usar. Mas tudo bem, funciona!

Este tipo de câmera é conhecido como “field camera” ou câmera de campo. A característica principal é a portabilidade, pois viram uma compacta maletinha (esqueci de fotografar ela dobrada!). Elas possuem menos movimentos do que uma câmera técnica de trilho, mas ainda sim, são bem versáteis.

É muito provavel que esta câmera seja uma cópia das famosas Deardorff inglesas, que até hoje são fabricadas de forma impecável e nada baratas. A única identificação da câmera é uma pequena placa na parte posterior que contém caracteres chineses (também usados por japoneses) e coreanos. Perguntei para um amigo japonês “mesmo”, e não que nem eu, o que poderia ser lido. Este amigo é o fotógrafo Tatewaki Nio que utiliza uma câmera semelhante em seu trabalho. Ele conseguiu identificar o local de fabricação na cidade de Suncheon, na Coréia do Sul. Um colega do grupo “Collodion Bastards” do Facebook, Gerald Figal, também identificou a mesma cidade e tem uma teoria boa sobre a câmera:

Eu encontrei o mesmo local Suncheon (Junten em japonês). Meu palpite é que esta é uma câmera pré-Segunda Guerra Mundial produzida por uma empresa japonesa na Coreia colonial. Coreanos não estavam fazendo câmeras como esta ao meu conhecimento. Faz sentido que é uma câmera japonesa feita enquanto a Coréia era uma colônia do Japão. O nome da empresa “Tōnan” (Sudeste) soa muito bem como um nome do Império Japonês. Ela pode ter sido elaborada por coreanos, mas sob uma empresa japonesa na Coreia colonial.

Placa de identificação da câmera.
Placa de identificação da câmera.

Essa história me faz imaginar o tanto que uma câmera desta idade “viu” em sua vida. Também fico contente de continuar a dar uso a esta guerreira!

As duas únicas coisas que tive que fazer nela, fora a boa limpeza, foi colocar uma lente e fazer um adaptador para encaixar o tripé. Essas câmeras usavam um sistema muito estranho de tripé. Acho que isto nem seria um problema, mas veio faltando alguma peça para conectar a câmera na cabeça do tripé. O que eu fiz foi cortar uma madeira e encaixar uma “porca-garra” com rosca de 1/4 e arranjar um jeito através de pequenos pitões de metal de fixar esta base de madeira na câmera. Deu super certo e com a vantagem de não ter sido necessário fazer nenhuma modificação na câmera. Ela ainda está original.

A madeira mais clara é a base que foi feita. A rosca de 1/4 é uma porca-garra que é facilmente encontrada em casas de parafusos. O pequeno pitão solto no centro é igual aos que foram usados para conectar a base no corpo da câmera. Eles são parafusados na base e conectados pelos parafusos com porca no anel de metal da câmera.
A madeira mais clara é a base que foi feita. A rosca de 1/4 é uma porca-garra que é facilmente encontrada em casas de parafusos. O pequeno pitão solto no centro é igual aos que foram usados para conectar a base no corpo da câmera. Eles são parafusados na base e conectados pelos parafusos com porca no anel de metal da câmera.

Já a objetiva que estamos usando por hora é na verdade uma objetiva para ampliador. É uma Rodenstock 150mm f/5.6 que também faz parte da doação do Jonas Chun. A placa de suporte da lente foi feita com papel de passe-partout e pintada de spray preto. Como é uma lente para ampliador, ela não tem obturador. Para nosso uso com calótipos e placa úmida, isto não é um problema pois as exposições tem sempre mais do que 1 segundo, indo até 15 minutos. Assim, é só abrir e fechar a tampinha.

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O vidro despolido abre como uma portinha para se colocar o chassi de negativo. Esta peça em que o chassi encaixa, pode ser colocada na posição vertical facilmente. Cada chassi acomoda duas placas.  Nossa lente 150mm está aí também.
O vidro despolido abre como uma portinha para se colocar o chassi de negativo. Esta peça em que o chassi encaixa, pode ser colocada na posição vertical facilmente. Cada chassi acomoda duas placas.
Nossa lente 150mm está aí também.

Olhem esta imagem em placa de vidro que fizemos com esse conjunto:

Positivo de vidro, de Roger H Sassaki.
Positivo de vidro, de Roger H Sassaki.

Pra acabar este post, quero agradecer novamente o amigo fotógrafo Jonas Chun! A câmera está sendo super bem cuidada e fazendo o que faz melhor, fotos! Ela está sendo super útil. Muito obrigado.

Vejam o site deste ótimo fotógrafo social: http://www.jonaschun.com

Bom ressaltar, que em nossos cursos fotográficos, os alunos tem a chance de utilizar muitos dos nossos equipamentos!

Abraços,

Roger Sassaki

Atualização 1, 30/05/2013: Graham Vasey, também do Collodion Bastards do Facebook, me passou o link para as imagens de sua camera, bem similar a esta. Nas fotos dá pra ver como que é encaixado o tripé original. Cada uma das três pernas é presa individualmente diretamente na base redonda de metal. Agora que eu entendi porque a base é tão estranha. Mas faz todo o sentido. Veja as imagens no site: http://gallerinadarlington.blogspot.co.uk/2013/01/a-day-in-life-ofgraham-vasey.html

Imagens do curso de Introdução à Fotografia em Calótipo (março 2013)

calótipos finais
Uma parte dos calótipos produzidos durante o curso pelos alunos. (clique para ampliar)

Domingo (24/03/13) foi o último dia de curso de nossa primeira turma de alunos da Introdução à fotografia em calótipo ministrado pelo Fernando Fortes e por mim. Ficamos tão contentes com o resultado conseguido pelos alunos quanto pela dedicação deles nos 4 longos dias neste processo super trabalhoso e delicado. Haja café!
Continue reading “Imagens do curso de Introdução à Fotografia em Calótipo (março 2013)”

Demonstrando calótipos para os alunos do Senac

Esq: calótipo / Dir: inversão digital; Autoria conjunta de Fernando Fortes, Ligia Minami, Roger Sassaki e do professor Kenji Ota.
Esq: calótipo / Dir: inversão digital;
Autoria conjunta de Fernando Fortes, Ligia Minami, Roger Sassaki e do professor Kenji Ota.

Nos dias 6 e 7/03/2013 nós fomos convidados pelo fotógrafo e professor Kenji Ota a demonstrar a fotografia em calótipo para os seus alunos do 5º semestre do Bacharelado em Fotografia do Senac-SP. Grande honra ser convidado pelo Kenji, um grande artista e mestre consagrado na fotografia! Lá fomos nós, Fernando Fortes, Ligia Minami e eu.

Nós tivemos que fazer duas apresentações, uma para os alunos do período da manhã e outra para os do período noturno. A demonstração incluiu todo o processo de sensibilização do papel, preparação da câmera, captura e revelação. Não deu tempo de encerar o negativo e nem de fazer uma cópia em papel. Para nós, a turma da manhã seria fácil pois fotografaríamos com a luz do sol. Já a noite, não sabíamos muito bem o que aprontar. Mas, como o calótipo sempre nos surpreende, a situação foi bem diferente.

Fernando Fortes explicando a sequência dos banhos químicos
Fernando Fortes explicando a sequência dos banhos químicos

Chegamos dia 6 logo cedo e começamos a preparar novas soluções químicas de iodização e sensibilização (ambas #1 de Alan Greene). Contamos um pouco do contexto histórico dos calótipos e mostramos alguns negativos feitos por nós. Logo sensibilizamos duas folhas de papel e saímos para fazer duas fotos da turma sob um escaldante sol direto, o sucesso era garantido. Mas durante após a revelação, uma surpresa: negativos torrados! 🙁

Esta certo que o Fernando Fortes se empolgou um pouco e revelou por uma meia hora (ao invés do usual 8-15 minutos), mas mesmo assim estava muito estranho. Fomos para casa um pouco decepcionados e pensativos. Como não sou bom pra escrever mistério, já vou falando o que era: Esquecemos de “amaciar” o sensibilizador (banho de prata)! Toda solução nova tem que ser “enfraquecida” com algumas gotas do iodizador. :/

Roger Sassaki ajustando a câmera para um dos calótipos que não saíram.
Roger Sassaki ajustando a câmera para um dos calótipos que não saíram.

Foi assim que começamos o segundo dia de demonstração, consertamos nosso sensibilizador e partimos para fazer uma foto teste. Como era noite, nossa única fonte de luz possível para termos um tempo de exposição razoável (para que terminássemos a foto antes da formatura dos alunos.. ) era utilizar as mesas de luz UV, ítem praticamente obrigatório para quem faz processos fotográficos históricos. Felizmente o Senac tem 3 mesas UV, duas com lâmpadas BL (UV brancas) e uma com lâmpadas BLB (UV azuis).

"set-up" da câmera e duas mesas de luz UV servindo de iluminação.
“set-up” da câmera e duas mesas de luz UV servindo de iluminação.
Primeiro calótipo da noite. Um teste se 15 minutos de exposição para estas luzes iria funcionar. Sim! A mancha branca na perna do boneco indica que nossa "luz de inspeção" de revelação esta velando o negativo. É uma pequena luz vermelha que colocamos por baixo da bandeja de vidro para podermos ver a revelação do negativo.
Primeiro calótipo da noite. Um teste se 15 minutos de exposição para estas luzes iria funcionar. Sim!
A mancha branca na erna do boneco indica que nossa “luz de inspeção” de revelação esta velando o negativo. É uma pequena luz vermelha que colocamos por baixo da bandeja de vidro para podermos ver a revelação do negativo.
Dados do calótipo 1

Fotometria:
não medida
Abertura:
f/4.5
Dist. Focal:
240mm
Tempo de exposição:
15 minutos
Tempo de revelação:
8 minutos
Papel:
Canson Marquer

Com este teste bem sucedido, sensibilizamos mais duas folhas para as fotos “para valer”. Nesta hora, o Kenji Ota estava empolgado montando o cenário com o boneco que encontrou em alguma sala do Senac. Aliás, adoramos o boneco!

"Set up" da segunda foto. O Kenji Ota está lá embaixo do pano fotografando a imagem do despolido.
“Set up” da segunda foto. O Kenji Ota está lá embaixo do pano fotografando a imagem do despolido.
Segundo calótipo da noite. Meu preferido!
Segundo calótipo da noite em inversão digital. Meu preferido!
Dados do calótipo 2

Fotometria:
não medida
Abertura:
f/4.5
Dist. Focal:
240mm
Tempo de exposição:
15 minutos
Tempo de revelação:
8 minutos
Papel:
Canson Marquer
Eu, Roger Sassaki, falando sobre os negativos digitais.
Eu, Roger Sassaki, falando sobre os negativos digitais.

Durante as longas exposições, aproveitamos para explicar um pouco também sobre os negativos digitais, que são imagens impressas em transparência plástica. É um jeito ótimo para transferir imagens editadas no computador para os suportes diversos dos processos históricos como cianótipo, papel salgado e até papel de gelatina de prata. Levamos exemplos dos passos para se escolher a cor base do negativo e de como linearizar o processo. É um método bem interessante e logo mais vai pintar em forma de curso por aqui. 🙂

Terceiro calótipo de noite.
Terceiro calótipo de noite.
Dados do calótipo 3

Fotometria:
não medida
Abertura:
f/4.5
Dist. Focal:
240mm
Tempo de exposição:
25 minutos
Tempo de revelação:
8 minutos
Papel:
Canson Vegetal 90gsm

E assim acabou nossa demonstração de calótipos modernos, já passavam das 22h e poucos alunos resistiram até o final. Ficamos super contentes com o resultado e honrados de construir uma imagem junto com o Kenji Ota.

Queremos agradecer profundamente o convite e a oportunidade dada. Muito obrigado ao Kenji Ota, Fernanda Romero, Patricia Yamamoto e aos assistentes do Senac.

Grande abraço,

Roger Sassaki

— Seguem algumas imagens feitas durante os dois dias:

Abertura da exposição Escrita Solar

Escrita Solar
Hoje teve a abertura da exposição de fotos Escrita Solar: Revisitando Talbot e a Origem da Fotografia na Casa Ranzini. É uma felicidade muito grande acabar o dia e perceber que muitas horas de pesquisa e trabalho duro se tornaram uma linda exposição!

Olhar ela pronta um pouco antes das pessoas chegarem já foi uma ótima sensação de realização. Ter os visitantes, amigos e desconhecidos falarem bem e a elogiarem só melhorou tudo.

Foi tão bom passar o dia recebendo os visitantes que nem consegui tirar muitas fotos. Desculpe para quem não foi registrado! Vou postar algumas fotos aqui, mas quem tiver tirado fotos e quiser me mandar para eu adicionar, será ótimo.

Obrigado à equipe Fernando Fortes, Ligia Minami, Carolina Mitsuka, Marcelo Schellini e Anna Silveira as horas cedidas e esforço aplicado.

Obrigado também às minhas amigas que gentilmente atenderam ao meu pedido para retratá-las em calótipo. Foram me esperando no laboratório e tempo demais embaixo do sol forte. Porém, renderam boas conversas… 🙂

A exposição fica aberta até o dia 20/3, de domingo a quarta-feira, das 13h as 17h.

Obrigado e abraços,

Roger Sassaki

Calótipo: Mais testes e retratos

Finalmente de volta ao laboratório para continuar essa aventura de fazer fotografias em calótipos!

Ontem (09/02/13) junto com a colega Ligia Minami, decidi já no meio da tarde nublada a fazer um teste com calótipos para “tirar a ferrugem”. Decidi voltar ao papel Canson Vegetal (90gms) e explorá-lo um pouco mais. A mudança desta vez foi sensibilizá-lo e revelá-lo por imersão e não flutuação. Como já devo ter registrado aqui, o papel vegetal enrola muito quando colocado na água, o que dificulta o processo, que já é difícil o suficiente por conta das luvas e palhetas e tudo mais.A vantagem do papel vegetal é que, se tudo for bem, no final o calótipo é bem transparente e com pouca textura de fibras.

Outra coisa importante foi em relação a luz. Como o calótipo é praticamente sensível apenas a luz ultra-violeta, a chance é muito grande de ser enganado por cenas iluminadas por luz visível mas sem UV. Como a luz UV não é visivel, tudo o que resta sem um sensor adequado, é assumir que ela esta ou não presente.

Por exemplo, um teste recente com luz halógena de 500W a 1m do assunto e 15 minutos de exposição (f5.6) não teve nenhum efeito sobre a prata do calótipo, nada. É como se fosse uma luz de segurança, sem UV.

Mas podemos assumir que há UV na luz do Sol. Li recentemente que até 80% do UV consegue passar pelas nuvem de um dia nublado. Porém percebi que poucas superfícies refletem bem UV. Assim, mesmo em dias claros, é importante que o assunto seja colocado sob luz direta do Sol, linha reta! E sabe-se também que como o UV é retido em parte pela atmosfera, quanto mais perpendicular o Sol estiver à Terra, melhor. Eu acredito, mas ainda não tenho certeza como, que o índice UV divulgado pelos serviços de previsão do tempo deve servir também para se considerar a exposição do calótipo.

A primeira sessão foi feita na câmera 4×5. O prédio escolhido é um visível da varanda da Casa Ranzini e estava recebendo luz direta do Sol, mesmo que com nuvens. Um bom teste pra saber o quanto UV tem em um dia nublado.

Inversão digital de Calótipo 4x5 em papel Canson Vegetal.
Inversão digital de Calótipo 4×5 em papel Canson Vegetal.
Prédio próximo a Casa Ranzini

Fotometria:
EV10 – nublado sem chuva, a favor do Sol
Abertura:
f/5.6
Tempo de exposição:
5 minutos
Tempo de revelação:
10 minutos
Papel:
Canson Vegetal 92gsm

Hoje (10/02), fiz uma nova sessão de calótipos tentando fazer um retrato da minha amiga Paula Febbe. Um dos desafios do retrato em calótipo é que enquanto eu não conseguir uma fonte de luz artificial adequada, eu estou sujeito ao uso do Sol. Como disse o melhor é usar o Sol direto do meio-dia, o terror dos retratistas atuais! Mas estamos falando de uma técnica de 1840 e era embaixo de Sol mesmo. Os primeiros retratistas tinham que se virar e fazer funcionar. Pra mim é realmente uma luz difícil, “errada”, mas vou ter que entendê-la e usá-la.

Inversão digital de calótipo 18x24cm em papel Canson Vegetal 92gsm. Retrato de Paula Febbe por Roger Sassaki, 10/02/2013.
Inversão digital de calótipo 18x24cm em papel Canson Vegetal 92gsm. Retrato de Paula Febbe por Roger Sassaki, 10/02/2013.
Dados do Retrato de Paula Febbe

Fotometria:
EV14 – Sol encoberto mas forte
Abertura:
f/5.6
Dist. Focal:
240mm
Compensação de fole:
Tempo de exposição:
30 segundos
Tempo de revelação:
1 hora em revelador diluído 1:1
Papel:
Canson Vegetal 92 gsm

De alguma forma, a primeira reação aos erros é ficar horrorizado. Mas é tão mágico que isso tudo funcione, que depois de olhar a imagem um tempo, eu começo a gostar de alguma coisa que ela têm. Bom, mas sobre os “acontecidos”, o foco esta fora… :/ Também, a profundidade de campo nessa condições (lente, distância) é inexistente. Creio que tenho que tentar um próximo a f8. O mais chato foram essas manchas brancas. Acredito eu, que são uma reação com o Rubylith ainda com algumas gotas. O Rubylith é um filme vermelho que fica entre os dois calótipos quando estes estão no chassi para serem expostos. Algumas podem ser de manipulação.

Pensando sobre isso, acho que o calótipo por ser úmido, é muito sensível a contaminações e danos físicos. Tenho que tomar mais cuidado ao limpar os vidros e rubylith toda vez. Também posso considerar não manipular mais os papéis com as mãos sem luva após serem iodizados.

Uma coisa muito interessante é meu primeiro retrato com “apenas” 30 segundos de exposição! É praticamente um “instante” se formos pensar nos 8 minutos que eu estava usando anteriormente.

Abraços,

Roger Sassaki