Fotografia em Placa Seca de Gelatina

Data 22 a 25 de fevereiro de 2018
Horário das 9h às 17 (1 hora de almoço)
Local Casa Ranzini
R. Santa Luzia, 31. São Paulo-SP
Custo R$1.200,00 (Material incluso)
Vagas: 4 alunos

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Negativos de Placa seca de Gelatina

Aprenda a fazer seu próprio negativo fotográfico em placa de vidro.

Nesta oficina de quatro dias inteiros você vai aprender a fazer uma emulsão fotográfica simples de gelatina e prata, próximo do que era usado no final do século 19. Nós iremos preparar as placas de vidro e emulsão do zero, fotografar em câmeras 4×5″ de grande formato e revelar.

A técnica da Placa Seca de gelatina surge em 1871, introduzida por Dr. Richard Leach Maddox. Por volta de 1880 a técnica já era a mais utilizada por profissionais e amadores, desbancando a Placa Úmida de Colódio, tornando-se a base para os avanços da tecnologia analógica até os dias de hoje.

Docente: Roger H. Sassaki

Audiência

Esta oficina de quatro dias é de interesse para fotógrafos amadores e profissionais, autorais ou comerciais, educadores, historiadores e quaisquer pessoas interessadas em processos fotográficos históricos que queiram entender e experimentar este processo histórico e produzir fotografias com características próprias das imagens do século 19, mas podendo reinventar a linguagem em uma abordagem moderna. Mesmo fotógrafos experientes encontrão na disciplina necessária, uma reexperimentação da visualização de temas como retratos e paisagens.

Não é necessário experiência.

Custo e Inscrição

A reserva da vaga é feita pelo pagamento do valor da inscrição. Entre em contato para saber das formas de pagamento.
Inscrição e material: R$ 1.200,00

Cancelamento

Desistência da oficina com 15 dias de antecedência terá reembolso do valor da inscrição menos uma taxa de R$200,00. Não haverá reembolsos para desistências a menos de 15 dias do início da oficina. Em caso de cancelamento da oficina por parte da organização, haverá apenas o reembolso integral do valor pago. A organização poderá fazer e usar fotos e vídeos dos participantes para uso educacional e promocional.

Formulário de Inscrição

Condições: O pagamento deverá ser feito com antecedência por depósito bancário. As informações serão enviadas para o email fornecido por você no formulário abaixo. O preenchimento do formulário abaixo NÃO garante a participação na oficina. A sua reserva será confirmada por email posteriormente.

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Sacos opacos para Placa Seca

O projeto aqui é para fazer sacos opacos à luz para guardar placas secas de gelatina que ainda estão fotossensíveis. Ou seja, que estão virgens ou expostas mas ainda não reveladas. As medidas são para guarda de até 10 placas do tamanho 4×5″ (12,2×13,7cm). Talvez até caibam mais placas, mas pode ficar difícil de manuseá-las no seu interior.

Materiais:

– Nylon Emborrachado preto 34x80cm
– Cola Vinil Fortik 75g (bisnaga)
– Régua, esquadro, tesoura, estilete, lápis 6B e superfície para corte.
Opcionais:
– Nylon Emborrachado vermelho 14x9cm e 14x12cm
– Caixa container San Remo ref.940

O nylon emborrachado preto é geralmente usado para fazer “capa de chuva”. Ele não é totalmente opaco à luz com uma camada só Vamos então usá-lo com uma camada dupla. O vermelho é apenas para fazer a etiqueta de identificação e é opcional. Em São Paulo, eu encontro o nylon na Magma Textil: Av. Rangel pestana, 1249. Brás.

Utilizo a Cola Vinil pois sou péssimo para costurar. A cola permite que eu trabalhe como se estivesse apenas colando papel. Tem a vantagem de não fazer furos de agulha. Ela é como uma cola de contato, mas eu utilizo passando e já juntando as partes direto, sem esperar a pré-secagem. Tem só que segurar as partes juntas e sobre pressão até fixar, o que é rápido. Eu utilizo uma dobradeira (tipo uma espátula) plástica de mão para espalhar a cola após juntas as partes. A cola tem um cheiro forte, use-a em local ventilado e evite respirá-la. Apesar de ela firmar apenas com alguns minutos, a firmeza total leva 24h. Eu encontro essa cola na loja Takara (mas o preço é bom!): Av. Rangel Pestana, 1743 – Brás.

Procedimento

1. Meça o tamanho 34x80cm no lado emborrachado do nylon com o lápis e corte. Dobre o nylon com o lado emborrachado para dentro de forma que fique um retângulo de 34x40cm

2. Com a dobra à direita, marque duas linhas paralelas à base com distâncias de 1cm e 2cm em relação a esta. Marque tbm uma linha à 1cm da dobra na faixa de baixo. Corte fora com o estilete ou tesoura esse pedaço de nylon à 1cm da base e da dobra.

3. Passe um pouco de cola entre as duas camadas ao longo da marca dos 2cm (da borda). Junte as duas camadas e passe a dobradeira (ou os dedos) por cima do nylon para espalhar e pressionar bem as duas parte. Aguarde 1 minuto (ou o suficiente pra colagem não soltar) e dobre o nylon em sua direção de modo que a margem superior fique alinhada a linha dos 2cm da base.

4. Na extremidade esquerda, risque com o lápis duas linhas paralelas à margem com 1cm e 4cm de distância em relação a esta. Corte o nylon ao longo da linha de 1cm deixando apenas a camada de baixo. Ou seja, corte as 3 camadas de cima e deixa a 4ª camada intacta.

5. De volta a extremidade de baixo, passe cola ao longo do nylon na região entre a marca de 2cm e a borda. Tente passar cola uniformemente sem exagerar para não vazar pelos lados ao dobrar. Agora, dobre toda essa “aba” de 2cm para cima, sobre o nylon que foi dobrado pra baixo no passo 3. A dobra é exatamente ao longo da marca dos 2cm. Aperte bem sobre a dobra para fixar bem as partes. Você deve ter agora um “tubo” de 40x16cm.

6. Gire a extremidade esquerda para baixo e veja que bem no canto direito, o finalzinho da dobra do passo anterior ficou sobre o espaço de 1cm. Retire esse excesso de nylon (2x1cm) com uma tesoura para deixar novamente a faixa de 1cm apenas com a camada de baixo.

7. Aplique cola ao longo de toda região entre a marca de 4cm e a borda do nylon. Dobre a borda inferior do nylon para cima, de forma que a borda alinhe com a marca de 4cm. Antes de fazer a colagem, é bom tirar o máximo de ar que estiver por dentro das camadas.

8. Você deve ter agora um saco de 16x38cm. Você pode arrumar alguma falha da colagem com um palito de dente para enfiar cola nas falhas. Também, se ficou muito ar preso entre as camadas, vai ficar dificil enrolar o saco depois. Você pode fazer uma pequena saida de ar fazendo um pequeno furo na entrada do saco, próximo a borda.

Procedimento para fazer as etiquetas

As etiquetas são opcionais e podem ser feitas de outro jeito de preferir. Eu preferi fazer em nylon vermelho pois chama a atenção para o escrito, dá contraste com escrito sob luz vermelha e dá pra usar a mesma cola (fora que eu tenho um monte de nylon vermelho sobrando). Também pensando que eventualmente a recarga do chassi pode ser feito às escuras, ou apenas com as mãos dentro de um saco preto, eu achei que tem que ter alguma diferenciação tátil. Assim, fiz versões com uma e duas pregas para diferenciar o saco das placas virgens e o das placas já expostas.

A visualização é mais confusa pq é dificil ver a marca de lápis sobre o vermelho. Assim, vou incluir um desenho esquemático em papel.

Para etiqueta de um vinco:
1. Corte um pedaço de nylon vermelho de 14x9cm. No lado emborrachado, trace com o lápis as linhas indicadas na foto. Utilize o desenho para entender melhor as medidas (trace linhas contínuas, não precisa ficar fazendo pontilhado). A letra “h” indica uma linha horizontal e “v” vertical. Os números são as medidas correspondentes em centímetros.

2. Com o lado emborrachado para cima, comece dobrando para dentro, a borda v0 alinhando à marca v2. Coloque um pouco de cola dentro da dobra para fixá-la. Faça o mesmo dobrando o lado v9 para dentro e alinhando à marca v7, cole.
Coloque um pouco de cola na região entre v4 e v6 e junte estas duas linhas dobrando sobre a marca v5 (no verso, a linha v5 irá encostar na v7).

Nesta foto o nylon está girado 180˚ em relação ao desenho, ou seja invertido direita-esquerda.

3. Ainda com o lado emborrachado para cima, alinhe a borda h0 na marca h2 e cole. Faça o mesmo alinhando a borda h14 à marca h12, cole. Pressione bem todas as colagens até a cola firmar. A etiqueta está pronta e deve ser vista pelo lado brilhante, não emborrachado.

Para etiqueta de dois vincos:
As marcações são mais numerosas mas seguem a mesma lógica, com um vinco a mais.

1. Corte um pedaço de nylon vermelho de 14x12cm. No lado emborrachado, trace com o lápis as linhas indicadas na foto. Utilize o desenho para entender melhor as medidas. A letra “h” indica uma linha horizontal e “v” vertical. Os números são as medidas correspondentes em centímetros.

2. Com o lado emborrachado para cima, comece dobrando para dentro, a borda v0 alinhando à marca v2. Coloque um pouco de cola dentro da dobra para fixá-la. Faça o mesmo dobrando o lado v12 para dentro e alinhando à marca v10, cole.

3. Coloque um pouco de cola na região entre v4 e v6 e junte estas duas linhas dobrando sobre a marca v5 (no verso, a linha v5 irá encostar na v7).

4. Coloque um pouco de cola na região entre v7 e v9 e junte estas duas linhas dobrando sobre a marca v8 (no verso, a linha v8 irá encostar na v10).

5. Ainda com o lado emborrachado para cima, alinhe a borda h0 na marca h2 e cole. Faça o mesmo alinhando a borda h14 à marca h12, cole. Pressione bem todas as colagens até a cola firmar. A etiqueta está pronta e deve ser vista pelo lado brilhante, não emborrachado.

Finalizando as etiquetas

Você agora pode escolher qual vai usar para as placas expostas e não-expostas. Com uma caneta preta de ponta grossa, escreva sobre a parte larga. Espalhe cola no lado emborrachado (até as bordas) e cole sobre o saco preto. Eu preferi colar no lado “limpo” do saco, sem as sobreposições das colagens. Centralizei e deixei a 3cm da boca do saco.

Utilizando os sacos opacos

Empilhe suas placas de vidro interfolhando-as, deixe as emulsões todas para cima. Qualquer papel de boa qualidade, fino e sem textura funciona. Eu corto pedaços de 21x13cm, dobro-os ao meio e guardo individualmente cada placa. É um ótimo lugar para fazer anotações sobre as capturas ou numerar cada placa.

Arranje um papel cartão grosso (uma sobra de passe-partout) do tamanho das placas (aprox. 10,5x13cm) e coloque sobre a placa superior. Deixe sempre esse cartão sobre a pilha de placas para proteger a emulsão. Enfie toda a pilha de placas e cartão dentro do saco (com o lado da etiqueta para cima) e enrole a sobra do saco para vedar à luz.

Eu descobri que tem uma caixa plástica da San Remo, dessas de guardar tranqueira, que encaixa perfeitamente os dois sacos com placas. O número de referência do produto do fabricante é 940.

Tentando fazer Placa Seca de gelatina. 

Estátua Viva, Rua Barão de Itapetininga, SP. Impressão em papel Ilford RC a partir de negativo de vidro de Placa Seca. 17/06/2017.

Já faz algum tempo que tenho me enveredado na pesquisa do processo de Placa Seca De Gelatina, uma técnica de 1871 que veio a desbancar a hegemonia do colódio e possibilitar a era industrial da fotografia. 

Tenho seguido por hora a receita de Mark Osterman, publicada no livro de Christopher James. É um procedimento até simples depois que pega o jeito. Fiz duas “levas” já e acabei de fazer uma terceira ainda não testada. A primeira leva não deu muito certo, o que era esperado. Acho que não lavei direito a gelatina e acabei com cristalização de nitratos e outros sais. 

A segunda leva saiu ótima, e é a que gerou as duas imagens deste post. O negativo é limpo porém de baixíssima sensibilidade. Ficou até bem próxima do colódio, algo em torno de ISO 1. 

Já fiz teste de revelação com Parodinal e funcionou. Estas duas imagens aqui foi com Ilford Bromophen. Adicionei um banho inicial de água destilada com um 0,5% de alúmen de cromo para evitar descascaremos da gelatina no processo. Funcionou.

Estas duas imagens foram feitas em formato 4×5″ em uma Linhof Technika. Depois de reveladas por cerca de 15 minutos cada, foram fixadas e secas. Fiz ampliações em papel fotográfico Ilford RC Multigrade vencido (o que deu algumas manchas escuras na cópia) 18x24cm. Apesar de os negativos terem as altas luzes bem densas, as baixas luzes ficaram quase sub-expostas (erro de exposição) e precisei usar um contraste 5 e um tanto de manipulação durante a cópia. De qualquer forma, o resultado está muito bom para este estágio da pesquisa.

Praça da República, SP. Impressão em papel Ilford RC a partir de negativo de vidro de Placa Seca. 17/06/2017.

Nesta próxima “leva” tentei aumentar um pouco a sensibilidade da emulsão . Vamos ver!

Fixador de Tiossulfato de sódio – porcentagens e conversões

O fixador fotográfico de Tiossulfato de Sódio (Hypo) é frequentemente usado em processo fotográficos a base de prata devido a seu baixo custo e simplicidade. Como também é o fixador mais antigo na fotografia, ele é muito referenciado em livros de receitas fotográficas. Porém existe uma coisa para ficarmos atentos.

Existem duas formas de Tiossulfato de Sódio, o anidro e o penta-hidratado. Quando um reagente leva o termo “anidro” ao final do nome, ele não contém moléculas de água. No caso do Tiossulfato de sódio, significa que sua molécula tem apenas Na2S2O3. Ou seja, 100% do peso é de tiossulfato de sódio.

A forma penta-hidratado é a molécula de tiossulfato de sódio mais cinco moléculas de água – Na2S2O3.5H2O. Ou seja, apenas uma parte do peso da molécula é realmente o tiossulfato de sódio, a outra é água. O penta-hidratado tem forma de cristais geométricos, e é o que eu sempre encontrei. O Anidro eu nunca vi e parece que é em forma de pó. Vale sempre olhar o rótulo do reagente onde deve ter a molécula descrita.

Assim, se uma receita de fixador pede uma medida de peso de tiossulfato anidro e você só tem o penta-hidratado é necessário aumentar a medida para se compensar o peso das moléculas de água, senão a porcentagem final ficará mais fraca.

Comparando o peso molecular das duas formas (Anidro: 158g/mol; Penta-hidratado:248g/mol), é possível concluir que se desejar usar penta-hidratado no lugar de anidro, é necessário multiplicar o peso pedido por 1,57. Ou seja, se na receita pede 100g de tiossulfato de sódio anidro, é possivel usar 157g da forma penta-hidratada no lugar e manter a concentração pretendida.

A dificuldade é saber a qual forma a receita se refere pois raramente vem descrito qual usar. Talvez seja melhor presumir que sempre é anidro pois no pior caso, você terá feito uma solução mais concentrada que o necessário ao invés de mais fraca, o que poderia trazer problemas de véu posteriormente.

Por exemplo, no livro The Book of Alternative Photographic Processes de Christopher James, ele lista o Tiossulfato de Sódio com CAS (numero de catálogo internacional) 7772-98-7 que se refere a forma anidra. A forma penta-hidratada tem o CAS# 10102-17-7. Esses números CAS são muito úteis para essa distinção.

Segue uma boa receita de Fixador Simples, proposto pelo Ansel Adams e comentado por Lloyd Erlick em seu blog.

Fixador Simples

(água destilada é recomendada)

Água a 26ºC 750ml
Tiossulfato de sódio anidro 125 gramas
(para penta-hidratado use 250g e água a 50ºC)
Sulfito de sódio
(Use mais sulfito se pretender armazenar por mais tempo, mas 2 meses é o máximo)
30 a 60 gramas
Água fria para completar 1000ml
USO: Não diluir. De preferência usar em temperatura próxima a 20ºC.
CAPACIDADE: 25 cópias 20x25cm, ou área equivalente, por litro. Para filme, 25 rolos 35 mm (36 poses) ou 25 rolos de formato 120, ou área equivalente, por litro. (Alguns filmes gastam o fixador mais rapidamente. Os filmes tabulares Kodak, como T-Max 100 e 400, são bons exemplos. Esses filmes precisam de fixação por 10 minutos e o fixador rende metade da estimativa acima.)

Abraços,

Roger Sassaki

Refazer é criar? Militão novamente

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Na quarta-feira dia 24/02/2016, fiz uma rápida saída fotográfica pelo centro de São Paulo. Foram feitas apenas 4 fotos, os primeiros testes da minha idéia de projeto fotográfico. Ele ainda não tem nome e nem uma direção muito certa. O ponto de partida é recriar algumas das vistas feitas por Militão Augusto de Azevedo na São Paulo de 1862, assim como já feito inúmeras vezes por outros fotógrafos ao longo dos anos. A minha abordagem é recriar as vistas antigas na técnica fotográfica que ele usou na época, o negativo de vidro de placa úmida de colódio.

Acredito que retratar as ruas de hoje com a técnica de 1862 irá trazer uma representação interessante da SP atual e fazer uma comparação mais próxima (quanto a influência do aparelho fotográfico) com a São Paulo Antiga. Mas isso é uma suposição e essas primeiras imagens e mais algumas, feitas nos ângulos próximos a de Militão irão me mostrar melhor se há um caminho interessante a seguir.

Ademais, senão pelo valor artístico, espero que o lado técnico também agregue um valor a nossa fotografia brasileira. No pouco que pesquisei sobre Militão, observei uma carência e certa imprecisão nas explicações do processo de trabalho com placa úmida. Reconheço que talvez a imprecisão não faça muita diferença aos discursos que geralmente são mais antropológicos do que fotográficos. Porém, também não atrapalha termos a coisa descrita de uma forma mais completa. Acho que existe uma falta mesmo de referências em português sobre a técnica da placa úmida.

Um outro interesse que se destaca é ver os objetos, os negativos de vidro e o que isso implica nas cópias que ele produziu. Pelo que entendi, os negativos originais de vidro usados para a produção das cópias dos álbuns originais se perderam. Os negativos de vidro que existem são já reproduções das páginas dos álbuns feitos bem posteriormente por outro fotógrafo já no século 20. Minha pesquisa incluí presumir o tamanho físico das placas originais e fazer as cópias em papel nas mesmas escolhas de refilamento de Militão. As pessoas poderão ver, mesmo que sendo uma recriação, como que os negativos de Militão se pareciam em sua materialidade.

A imagem que abre esse artigo é um dos negativos que fiz nesta saída do dia 24/2 da rua Roberto Simonsen no centro de SP. É uma vista próxima a de Militão em 1862 quando ainda se chamava Rua do Carmo. Abaixo você pode ver tanto uma reprodução da imagem de Militão (acima) quanto a cópia positiva do negativo feito agora em papel salgado. Uma diferença importante, que abordarei em minha pesquisa é que as imagens de Militão são sempre refiladas nas bordas. Esta cópia em papel salgado mostra o negativo inteiro, com as imperfeições das bordas.

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Os únicos prédios originais que restaram é o Solar da Marquesa, o sobrado ao centro e aparentemente a Casa da Imagem. Bem ao fundo da vista, no final da rua, é possível ver a parede lateral da Igreja do Pátio do colégio nas duas imagens. Porém é sempre bom relembrar que a Igreja atual não é a original, foi demolida e reconstruída. Na foto atual o poste de luz cobre parte da vista e fiquei pensando em como resolvê-lo. Eu podia mover a a câmera um pouco para a direita e liberar a vista. Fico pensando o quanto é bom “limpar o enquadramento” ou se é natural deixar os obstáculos modernos atrapalharem a vista, que é o que eles fazem mesmo 😉 Também, mais a direita eu ficaria na rua e numa quarta-feira ela é bem movimentada. Preciso ver se consigo atrapalhar o trânsito por alguns minutos sem ninguém querer passar o carro por cima da câmera.

Gosto de ver como o longo tempo de exposição – 12 segundos – fez os carros da rua sumirem e algumas pessoas ficarem borradas ou desaparecerem totalmente. Ficou parecendo uma rua tão calma quanto em 1862? As duas fotos possuem pessoas indefinidas. Não sei quem são os de 1862 mas já deixo registrado que os de hoje são os funcionários dos estacionamentos, agitando os braços pra chamar os carros pra dentro. Tem também os carros estacionados ao invés da carroça ao fundo em 1862.

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Fiz também nesta mesma saída uma vista da descida da Rua General Carneiro. O negativo não ficou muito bom, mas posso abordá-lo em um próximo post.

Vamos ver até onde o projeto anda e quais discussões interessantes que podem surgir com o seu andar. Estou tentando aproveitar as manhãs de sol para fotografar mas é um processo lento de criação. Tentarei uma saída por semana pelo menos nesses próximos meses.

Quem tiver interesse de apoiar essa pesquisa, tanto financeiramente quanto com conhecimento ou o que for, por favor entre em contato comigo! Aliás, ao longo da pesquisa, irei fazer muitas cópias em papel das imagens produzidas, podendo ser em papel salgado, albúmem ou colódio cloreto. Vocês podem comprar essas cópias ou pedir cópias de imagens específicas para ajudar a financiar este trabalho.

Agradeço ao amigo Maurício Sapata por me fazer assistência nesta saída fotográfica e fazer algumas imagens de registro que aqui estão.

Abraços,

Roger H. Sassaki

Cópia em Papel Salgado tonalizado com ouro a partir de negativo de vidro 20x25cm de placa úmida de colódio.
Cópia em Papel Salgado tonalizado com ouro a partir de negativo de vidro 20x25cm de placa úmida de colódio.

Câmera Oca – Uma grande formato de montar

Podemos construir nossa própria câmera para processos fotográficos químicos?

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O projeto da Câmera Oca nasceu das conversas entre o fotógrafo Guilherme Maranhão e eu (Roger Sassaki) sobre a dificuldade que nossos alunos e colegas tem em achar uma câmera de grande formato para continuar a prática fotográfica de nossos cursos. Conversamos muito sobre como seria legal desenvolver uma câmera que pudesse ser montada por cada um durante uma oficina de poucos dias. O Guilherme se utiliza dos filmes em chapas para radiografia em suas investigações e trabalhos e eu utilizo câmeras de grande formato para fotografar em calótipos e placa úmida de colódio. Assim, a Oca foi projetada para aceitar em seu chassi processos de captura em placas, seja em processo úmido ou seco e também com filmes fotográficos em chapas até o tamanho de 13x18cm (5×7 polegadas) ou o formato quadrado de 16x16cm.

Parte traseira com vidro despolido que é retirado para o encaixe do chassi para placa fotográfica.
Parte traseira com vidro despolido que é retirado para o encaixe do chassi para placa fotográfica.
Chassi para a placa fotográfica com uma placa de 13x18cm. A placa pode ser colocada na horizontal ou vertical.
Chassi para a placa fotográfica com uma placa de 13x18cm. A placa pode ser colocada na horizontal ou vertical.

A Câmera Oca é uma mistura de modelos do início da fotografia e algumas soluções posteriores. Não é uma réplica de nenhum modelo que existiu. Ela é baseada em caixas deslizantes para ajustar o foco e na troca da peça do despolido para o chassi vedado à luz para a placa fotossensível. O chassi tem algumas características dos feitos para placa úmida de colódio no séc. 19. A objetiva é um modelo de lentes simétricas não acromáticas com diafragma “waterhouse”.

A escolha dos materiais e soluções do projeto também levou em conta a simplicidade na construção, a disponibilidade e baixo custo das peças e a possibilidade de ser montado por uma pessoa sem habilidades em marcenaria e sem maquinário pesado, somente ferramentas simples. A Oca é entregue em formato de kit de peças pré cortadas para colagem e leve ajuste final.

Além destes objetivos práticos, também pensamos que a construção é uma ótima oportunidade para o aluno descobrir o aparelho fotográfico. Durante a montagem o projeto é explicado e o aluno consegue entender a função de cada coisa feita e sua implicação na formação da imagem final. Esperamos que ele ganhe as noções necessárias para modificar o projeto posteriormente de acordo com suas necessidades.

Os Testes

Depois de construir nosso protótipo da Oca, fomos fazer o “teste de sanidade”! A primeira imagem foi feita na Casa Ranzini de uma simples cena, um ambrótipo em vidro.

Ambrótipo 13x18cm feito com o protótipo da Câmera OCA.
Ambrótipo 13x18cm feito com o protótipo da Câmera OCA.

Depois, fomos testar fotografar com chapa para raio-x e escolhemos fazer um retrato do Celso Eberhardt, o técnico super-super de concerto de câmeras fotográficas! Imagens raras do homem em sua oficina.

Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.
Celso Eberhardt em sua oficina em SP. Filme 13x18cm para raio-x na Câmera Oca. De G. Maranhão.

A primeira turma da oficina!

Então resolvemos ver se realmente tem gente por aí querendo construir sua própria câmera e abrimos inscrições para um primeiro grupo de alunos. Para nossa felicidade, sim – existem!

Foram 5 dias de oficina, três horas por dia nas primeiras manhãs no ateliê do Guilherme e um dia final no meu espaço na Casa Ranzini para fotografar com as câmeras prontas. Estávamos um pouco apreensivos como as coisas caminhariam mas os alunos foram ótimos na habilidade de montar a encrenca, no convívio, ajuda entre eles e compartilhamento das ferramentas. Foi ótimo ver o cuidado com que montaram as peças e a empolgação e carinho crescente com suas criações a medida que os sacos de ripas desconexas de madeira se transformavam em câmeras fotográficas.

Navegue pela galeria de fotos feitas durante o curso:

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Grande Abraço!

Roger H. Sassaki

Ambrótipos no Festival de Inverno de Paranapiacaba 2015

Ambrótipo 12x16,5cm. Julho, 2015. Roger H. Sassaki.
Ambrótipo 12×16,5cm. Julho, 2015. Roger H. Sassaki.

Colódio-bike visita a Vila de Paranapiacaba!

Fomos convidados pelo SESC Santo André para participar da edição de 2015 do Festival de Inverno de Paranapiacaba levando a Colódio-bike para fazer demonstrações de ambrotipia pelas ruas. Levar uma técnica inglesa do século 19 para uma vila inglesa do século 19 pareceu fazer todo o sentido e aceitamos prontamente! Para esta atividade, tive a assistência dos colegas Lucio Libanori e Maurício Sapata.

Sempre tive vontade de conhecer a cidade e estava empolgado com a oportunidade de justamente ter a melhor desculpa para levar todo o equipamento para lá. O maior medo era a tal da famosa neblina que vem das montanhas e cobre tudo. E não é que chegamos na sexta feira as 17h no meio de uma neblina fechada de não ter nem dez metros de visibilidade?

Sábado de manhã acordamos cedo pra montar a bicicleta e já sair pra fazer alguns testes e se divertir. Fomos até a entrada de carros da cidade para fazer a foto da locomotiva que está aí no começo do post. Algumas pessoas já foram ver o que estávamos fazendo. 😉

(clique para ver maior)

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O Lucio e o Maurício também fizeram umas imagens no mesmo local:

Ambrótipo 12x16,5cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Ambrótipo 12×16,5cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Ambrótipo 12x16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.
Ambrótipo 12×16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.

Aproveitei para fazer duas chapas 4×5″em calótipo seco Pelegry. Veja os negativos e depois a inversão digital.

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Das 15h30min as 17h30min fizemos nossa apresentação (nos dois dias) no coreto da praça, ao lado do Clube Lira. Com cerca de 40minutos cada, fizemos uma sequência de demonstrações de como se fotografar em placa úmida de colódio. Para isso, o público foi convidado para posar para uma foto e ver cada passo necessário para se sensibilizar a placa de vidro, expor, revelar e fixar a imagem.

O dia de sol e calor ficou frio e uma super neblina tomou conta da cidade. Estávamos com uma iluminação artificial elétrica “engatada” para se ficasse muito escuro para se fotografar. Mas acabamos encarando a neblina e alongando um pouco o tempo de exposição para até 12 segundos. O resultado dá pra ver nos ambrótipos feitos.

(clique para ampliar)

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A seguir, estão todos os ambrótipos feitos dos grupos nos dois dias. Não estão na ordem feita pois embaralhamos tudo… (maus aí).

(clique para ampliar)

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No segundo dia, domingo, acordamos cedo novamente para explorar fotograficamente a área dos trilhos onde fica a passarela de entrada (a pé) da parte baixa da vila. Depois, levamos a colódio-bike até a lateral do mercado para fazer mais algumas imagens.

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Ambrótipo, 12x16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.
Ambrótipo, 12×16,5cm. Julho de 2015. Mauricio Sapata.
Negativo de colódio, 12x16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.
Negativo de colódio, 12×16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.
Inversão digital.
Inversão digital.
Calótipo Seco, 10x12cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Calótipo Seco, 10x12cm. Julho de 2015. Lucio Libanori.
Inversão digital.
Inversão digital.
Ambrótipo, 12x16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.
Ambrótipo, 12×16,5cm. Julho de 2015. Roger Sassaki.

E dessa aventura ficou uma vontade de voltar para lá e fotografar muito mais! Quem sabe até fazer uma semana de imersão por lá com oficinas de ambrotipo e calótipo? Tenho vontade!

Abraços

Roger H. Sassaki

Experimentando Papel de Colódio Cloreto – Aristotype

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Finalmente arranjei um tempo pra tentar fazer cópias positivas no processo “Collodion Chloride”, que vou tratar como Colódio Cloreto por falta de conhecimento de um termo em português oficial. Se alguém souber como estes são chamados por estas terras, me diga!

Veja a explicação de Mark Osterman:

O processo de cópia por exposição de colódio cloreto foi introduzido por Gaudin em 1861 mas nunca teve sucesso comercial ou aceitação geral até os anos de 1880 quando os papéis prontos revestidos de argila foram adotados pela fotografia. Em 1884 Liesegang introduziu uma emulsão de colódio cloreto para papel que chamou de Aristotype. Era relacionado ao processo de placa úmida de colódio, usado para fazer negativos, ambrótipos e ferrótipos, mas conta com a tecnologia de emulsão.

(Collodio-Chloride Printing Out Paper Also known as Collodion Aristotype Paper. Tradução livre.)

Neste texto de Osterman ele também descreve os materiais e passos para a produção dos papéis sensibilizados. Clique no link e baixe o pdf. Resolvi começar a investigar este processo que é tido como o mais durável dos papéis fotográficos baseados em haleto de prata. Segundo ele, é facil identificá-lo em acervos históricos pois são geralmente encontrados em excelente condição.

O único material que eu ainda não dispunha para o processo era o Cloreto de Estrôncio, encontrado em lojas do ramo químico mas aparentemente também usado em aquários marinhos ornamentais.

Grãos de Cloreto de Estrôncio.
Grãos de Cloreto de Estrôncio.

Devo admitir que errei alguns cálculos na hora de adequar a fórmula ao meu colódio o que resultou em uma solução final meio empelotada. Mas adionei mais éter e melhorou bem. Ou seja, só na próxima leva que vou ver como a coisa é mesmo. De qualquer forma, deu resultados interessantes.

Utilizei como papel base para esta primeira sessão o Arches Platine (não é o para impressão jato de tinta) e o Canson Infinity Baryta. Os papéis baritados eram os tradicionalmente usados na época barrar o líquido sem deixá-lo atravessar a base. Eu já venho tentando usar papéis de impressão jato de tinta para alguns processos como papel salgado e cianótipo mas nunca tive resultados muito bons. Gostei quando o Quinn Jacobson disse que vinha utilizando o Baryta com sucesso. Aliás, aqui tem um vídeo bom dele dando dicas e fazendo o processo:

Já o Arches Platine é a versão original do papel para processos fotográficos químicos. Ele tem uma versão moderna para impressão jato de tinta chamado Canson Infinity Platine, não é o que usei agora. O Arches foi feito para o processo de paládio-platina e é conhecido por sua base de algodão e a não adição de reserva alcalina. A cópia ficou muito legal o colódio não atravessou a base, porém deu pra ver uma boa “sombra” no verso. A superfície ficou com uma textura bonita das fibras com um aspecto brilhante. O único porém, que pode ser falta de prática, é que a camada de colódio soltou um pouco nas bordas e algumas bolhas de agua se formaram entre a base e a emulsão.

Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo em filme gráfico.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.
Cópia em colódio cloreto em papel Arches Platine a partir de um negativo de papel encerado 25x30cm.

Para quem quiser ler mais um pouco sobre o processo, encontrei mais um PDF sobre o assunto, mais voltado a história, conservação e identificação.

Collodion on Paper. Dusan C. Stulik e Art Kaplan

Os próximos passos serão a prática da aplicação da emulsão sobre o papel e o uso de negativos de vidro de colódio no processo. Aliás, preciso fazer negativos de vidro! Vou correr lá….

Abraços,

Roger Sassaki

Envernizando ambrótipos com Goma Sandaraca

Não sou muito de fazer vídeos, mas vou tentar mudar isso. A câmera é beeem simples! Gravei este quando estava a envernizar um monte de ambrótipos. Faz parte da minha tentativa de arrumar a grande quantidade de placas de vidro que já acumulei. Muitas muitas.

No vídeo eu uso a receita tradicional de verniz a base de goma sandaraca e óleo de lavanda. A receita esta nesse blog. Você pode ver que eu uso a lamparina a álcool para aquecer e secar a placa e depois para secar o verniz. Recentemente eu recebi uma doação de uma placa elétrica aquecida. É bem antiga, tem cara de anos 70. É uma base de vidro e um interruptor de liga-desliga, só. Eu controlo a temperatura (70-100˚C) olhando um termômetro de metal que deixo em cima da base. Fiz uma tampa de acrílico para ela para evitar um pouco que pó caia sobre o verniz. A placa tem sido de grande ajuda para secar o verniz das placas, principalmente das grandes. Após secar um pouco sobre a lamparina, eu deito a placa na chapa e deixo lá uns dez minutos.

Desculpe a falta de produção do vídeo, fica como um registro para curiosos do processo.

Abraços!

Roger Sassaki

Projeto Arte Fazenda, janeiro de 2015

Existem aqueles problemas que você torce pra tê-los. Montar dois cursos sequenciais para o Projeto Arte Fazenda foi bem o caso. Fui convidado pela fotógrafa e educadora Mônica Machado para participar dos primeiros passos do novo local para residências artísticas em Minas Gerais. A antiga fazenda está transformando sua estrutura para abrigar artistas dispostos a passar períodos hospedados no local, se concentrando em sua produção autoral.

Uma das áreas de descanso da linda fazenda
Uma das áreas de descanso da linda fazenda

Nada melhor do que começar também pelos primeiros passos da fotografia. O plano foi dar duas oficinas de processos de captura fotográfica do século 19: negativo de papel – calótipo – e positivos de vidro em placa úmida de colódio, os ambrótipos. São duas técnicas que foram muito importantes para os primeiros 40 anos da arte fotográfica.

Antes dos cursos começarem, o local recebem uma boa reforma e arrumação da Mônica e do Bruno Claro, que também deu assistência valiosa aos cursos.

O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
O galpão ainda em arrumação. Ótimo local para montar cenas e fazer retratos.
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Área do laboratório em arrumação
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
Apenas parte dos químicos utilizados durante os dois cursos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.
O filtro duplo do lado esquerdo foi levado por mim. É um deionizador, que torna a água ideal para os processos.

O primeiro curso foi de 4 dias sobre os calótipos. No caso, a variante seca desenvolvida pelo francês Arsène Pélegry em 1879. Os alunos passaram por todos os passos necessários para produzir um estoque de várias folhas de papel sensibilizado. O calótipo seco tem o funcionamento semelhante ao filme fotográfico, ele pode ser guardado e usado e processado quando convir. Apenas os tempos de exposição e revelação são beeeeem mais longos.

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Eu vou ter que mostrar as imagens produzidas mais detalhadamente em algum outro post. Vou deixar algumas aqui do pessoal usando as cameras pela fazenda e alguns dos resultados.

Passe pelo slideshow:

O segundo curso eu chamei de “Explorações Visuais em Ambrotipia”. Foram três dias de muita fotografia em placa úmida de colódio. A idéia foi fornecer a estrutura e químicos necessários para os participantes ficarem mais livres para fotografar com a técnica sem se preocupar muito com formulações. Assim, eles puderam experimentar a rotina de se fotografar em ambrótipos e explorarem suas idéias visuais.

O primeiro ambrótipo da fazenda!
O primeiro ambrótipo da fazenda!

Durante a oficina, eles passaram pelos passos de corte de vidro e limpeza, aplicação do colódio, sensibilização da placa em banho de prata, revelação, fixação, envernizamento e guarda. Muita coisa!

Passe pelo slideshow:

Os alunos fizeram muita e muita foto. Não dá pra colocar tudo nesse post. Vou colocar apenas algumas imagens de cada um.

Passe pelo slideshow:

Obrigado e parabéns aos alunos dos dois cursos. Foi um prazer montar e tocar essas aulas nessa fazenda super gostosa! Obrigado a Mônica Machado pelo convite!

Acompanhe o Projeto Arte Fazenda no Facebook.

Grande abraço e até a próxima!

Roger Sassaki

A turma do curso de ambrótipos!
A turma do curso de ambrótipos!

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