Calótipo: Mais testes e retratos

Finalmente de volta ao laboratório para continuar essa aventura de fazer fotografias em calótipos!

Ontem (09/02/13) junto com a colega Ligia Minami, decidi já no meio da tarde nublada a fazer um teste com calótipos para “tirar a ferrugem”. Decidi voltar ao papel Canson Vegetal (90gms) e explorá-lo um pouco mais. A mudança desta vez foi sensibilizá-lo e revelá-lo por imersão e não flutuação. Como já devo ter registrado aqui, o papel vegetal enrola muito quando colocado na água, o que dificulta o processo, que já é difícil o suficiente por conta das luvas e palhetas e tudo mais.A vantagem do papel vegetal é que, se tudo for bem, no final o calótipo é bem transparente e com pouca textura de fibras.

Outra coisa importante foi em relação a luz. Como o calótipo é praticamente sensível apenas a luz ultra-violeta, a chance é muito grande de ser enganado por cenas iluminadas por luz visível mas sem UV. Como a luz UV não é visivel, tudo o que resta sem um sensor adequado, é assumir que ela esta ou não presente.

Por exemplo, um teste recente com luz halógena de 500W a 1m do assunto e 15 minutos de exposição (f5.6) não teve nenhum efeito sobre a prata do calótipo, nada. É como se fosse uma luz de segurança, sem UV.

Mas podemos assumir que há UV na luz do Sol. Li recentemente que até 80% do UV consegue passar pelas nuvem de um dia nublado. Porém percebi que poucas superfícies refletem bem UV. Assim, mesmo em dias claros, é importante que o assunto seja colocado sob luz direta do Sol, linha reta! E sabe-se também que como o UV é retido em parte pela atmosfera, quanto mais perpendicular o Sol estiver à Terra, melhor. Eu acredito, mas ainda não tenho certeza como, que o índice UV divulgado pelos serviços de previsão do tempo deve servir também para se considerar a exposição do calótipo.

A primeira sessão foi feita na câmera 4×5. O prédio escolhido é um visível da varanda da Casa Ranzini e estava recebendo luz direta do Sol, mesmo que com nuvens. Um bom teste pra saber o quanto UV tem em um dia nublado.

Inversão digital de Calótipo 4x5 em papel Canson Vegetal.
Inversão digital de Calótipo 4×5 em papel Canson Vegetal.
Prédio próximo a Casa Ranzini

Fotometria:
EV10 – nublado sem chuva, a favor do Sol
Abertura:
f/5.6
Tempo de exposição:
5 minutos
Tempo de revelação:
10 minutos
Papel:
Canson Vegetal 92gsm

Hoje (10/02), fiz uma nova sessão de calótipos tentando fazer um retrato da minha amiga Paula Febbe. Um dos desafios do retrato em calótipo é que enquanto eu não conseguir uma fonte de luz artificial adequada, eu estou sujeito ao uso do Sol. Como disse o melhor é usar o Sol direto do meio-dia, o terror dos retratistas atuais! Mas estamos falando de uma técnica de 1840 e era embaixo de Sol mesmo. Os primeiros retratistas tinham que se virar e fazer funcionar. Pra mim é realmente uma luz difícil, “errada”, mas vou ter que entendê-la e usá-la.

Inversão digital de calótipo 18x24cm em papel Canson Vegetal 92gsm. Retrato de Paula Febbe por Roger Sassaki, 10/02/2013.
Inversão digital de calótipo 18x24cm em papel Canson Vegetal 92gsm. Retrato de Paula Febbe por Roger Sassaki, 10/02/2013.
Dados do Retrato de Paula Febbe

Fotometria:
EV14 – Sol encoberto mas forte
Abertura:
f/5.6
Dist. Focal:
240mm
Compensação de fole:
Tempo de exposição:
30 segundos
Tempo de revelação:
1 hora em revelador diluído 1:1
Papel:
Canson Vegetal 92 gsm

De alguma forma, a primeira reação aos erros é ficar horrorizado. Mas é tão mágico que isso tudo funcione, que depois de olhar a imagem um tempo, eu começo a gostar de alguma coisa que ela têm. Bom, mas sobre os “acontecidos”, o foco esta fora… :/ Também, a profundidade de campo nessa condições (lente, distância) é inexistente. Creio que tenho que tentar um próximo a f8. O mais chato foram essas manchas brancas. Acredito eu, que são uma reação com o Rubylith ainda com algumas gotas. O Rubylith é um filme vermelho que fica entre os dois calótipos quando estes estão no chassi para serem expostos. Algumas podem ser de manipulação.

Pensando sobre isso, acho que o calótipo por ser úmido, é muito sensível a contaminações e danos físicos. Tenho que tomar mais cuidado ao limpar os vidros e rubylith toda vez. Também posso considerar não manipular mais os papéis com as mãos sem luva após serem iodizados.

Uma coisa muito interessante é meu primeiro retrato com “apenas” 30 segundos de exposição! É praticamente um “instante” se formos pensar nos 8 minutos que eu estava usando anteriormente.

Abraços,

Roger Sassaki

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